segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Nossa Senhora da Romã - 04.01.2016

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A cidade de Paestum está situada no Golfo de Salerno, sul da Itália, cuja capital é a famosa cidade de Nápoles. A partir da metade do século VII a.C. chegaram os agricultores gregos e fundaram a cidade Poseidonia, além de vários santuários. O mais importante era o da deusa Hera Argiva, adorada como a verdadeira Senhora por ser a esposa do deus supremo do Olimpo. Graças às excelentes condições geográficas, a cidade prosperou muito, se desenvolveu e seus templos ganharam fama em toda Grécia.

Quatro séculos depois, Roma tomou posse da região e fundou uma colônia latina dando à cidade seu nome definitivo: Paestum. O cristianismo foi introduzido na região no século II e o culto à Virgem Maria, Mãe de Deus, contrapondo-se à antiga adoração à Hera Argiva.

Paestum foi destruída no século VII por obra dos invasores muçulmanos e se tornou numa das fascinantes relíquias arqueológicas do mundo. Os habitantes sobreviventes, junto com seu bispo, foram para o monte Calpazio. Situado nos confins da planície de Paestum, defronte ao Golfo de Salerno, era um lugar mais seguro às constantes invasões. Assim, fundaram uma nova cidade chamada Capaccio e construíram a igreja dedicada à Santa Maria, Mãe de Deus.

No século XI, Capaccio adquiriu o mesmo poder que tivera Poseidonia. A igreja magnificamente ampliada assumiu a condição de Catedral e sede episcopal da diocese de Paestum-Capaccio. Neste Santuário, os fiéis devotavam à imagem da Virgem Maria sentada com o Menino Jesus e que segura na mão uma fruta romã aberta como símbolo da Graça, a invocação de Nossa Senhora da Romã ou da Abundância.

Entretanto, em 1247, foi destruído junto com a cidade, pelo exército de Frederico II, dando origem às ruínas da Velha Capaccio. Algumas famílias escondidas na vizinha Vila de São Pedro se organizaram e criaram um novo centro urbano conhecido como Nova Capaccio. Com a transferência do Bispo, a Catedral-Santuário deixou de ser a sede da diocese, mas continuou sendo meta de muitos peregrinos e romeiros de outras localidades. Após o século XIV, a devoção à Nossa Senhora da Romã era tão popular que o título foi incorporado ao nome do Santuário.

A única restauração completa ocorreu em 1708. O edifício anexo ao Santuário, para acolher os religiosos responsáveis pela preservação do culto, data de 1836 e lhe deu a característica arquitetônica atual. Desde 1991, a sua reitoria é de responsabilidade dos Carmelitas da Antiga Observância.

O culto à Nossa Senhora da Romã ou da Abundância está profundamente ligado às ruínas arqueológicas das antigas cidades, à tradição dos agricultores e à forte devoção popular dos fiéis à Virgem Mãe de Deus, que ainda lhe agradecem a proteção oferecendo romãs. A sua festa ocorre em duas datas: 15 de agosto e 05 de janeiro.
Texto: Jacinta Cericato/Paulinas Internet

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