quarta-feira, 30 de julho de 2014

Maria, mãe que serve no amor


"Ser mãe é servir, um serviço feito a partir do amor"
afirma: Frei Elias Vella
Foto: Natalino Ueda/Cancaonova.com


Frei Elias VellaFoto:
Natalino Ueda/Cancaonova.com
Quando eu era um padre jovem, eu ficava me perguntando porque na bíblia aparece três vezes a citação da genealogia de Jesus. E hoje, eu consigo compreender melhor esta razão e explico para vocês. Ao ler a genealogia de Jesus, eu sempre percebo que a sua árvore genealógica não é pura, há na descendência de Jesus pessoas que foram assassinos, idólatras, prostitutas e pagãos. O mesmo podemos dizer da árvore genealógica da Virgem Maria e imagino que certamente, se fossemos analisar a nossa árvore, certamente também iremos identificar a mesma coisa.

Por isso, falamos tanto nos dias de hoje da cura da árvore genealógica. E pedimos que Jesus que nos liberte de todo tipo de negatividade que podemos ter recebido de nossos antepassados e agradecemos por todas as coisas boas que herdamos de nossos antepassados.

Hoje celebramos o nascimento da Virgem Maria, e devemos nos alegrar, pois, assim como o nascimento de um bebe sempre é uma grande alegria para nós seres humanos, no céu existe também uma grande festa, os anjos dançam de alegria, porque, a cada bebe que nasce, um plano de Deus tem início. Um plano que foi especificamente designado para aquele bebe que nasceu, assim também aconteceu com a Virgem Maria.

Maria é um dom dado por Deus a nós. Ela também é a nossa mãe. Ser mãe é servir, um serviço feito a partir do amor.

Você se lembra, quando Jesus lavou os pés dos seus discípulos e disse “ “Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos"(Mateus versículos 26-28)

Nesta citação, Jesus coloca de cabeça para baixo todo conceito de serviço e de autoridade. Porque, nas relações normais as autoridades que são servidas, mas Jesus veio dizer que a autoridade é aquele que serve.

Quando Pedro viu esta situação ele não conseguiu suportar e reagiu, mas Jesus respondeu de uma maneira estranha: “Se eu não te lavar os pés não terá parte comigo.”e conclui: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.”

O discípulo não é maior que o seu mestre. A grandeza de Maria está no fato dela ser a serva e discípula de Jesus.

Maria não é grande porque ela foi concebida Imaculada, ou porque ela foi Assunta aos Céus, ou porque ela é mãe de Deus, mais poque ela é discípula de Jesus por excelência.

Maria é discípula de Jesus, porque ela está lavando aos nossos pés, nos servindo da graça de Deus. Maria também é a nossa mãe, e mãe é aquela que nos serve por amor. E isto é muito importante, Maria é mãe da Igreja, e eu sou, você é igreja. Maria é a nossa mãe e ela esta lavando os meus pés.
Não é possível viver sem uma mãe. É Maria que imprime o rosto de Jesus em nosso coração.
Maria é aquela que me ajuda abrir o coração para receber o Espírito Santo.

A religião é uma experiência de vida, um fato, nós precisamos de uma mãe, não podemos caminhar sozinhos, precisamos de alguém que nos ajude nos momentos de dúvida, que alguém segure em nossa mão e nos mostre o caminho. Por isso nos alegramos com o nascimento da Virgem Maria, porque ela é a nossa mãe.

Devemos ter um coração agradecido a Deus, pelo nascimento de Maria, a mãe de Jesus e nossa mãe. Porque é Maria quem nos conduz ao sentido da vida, que é o seu Filho Jesus.

Podemos rezar com Maria, podemos rezar junto com ela e não apenas a ela.

Eu não tenho dúvida que aqui no Brasil existe uma linda devoção a Maria, mas não é suficiente ter uma devoção a Maria, precisamos caminhar para algo mais maduro, um experiência com Maria.

Nas bodas de Caná, Maria intercede a Jesus dizendo: “Eles não tem mais vinho” mas Jesus disse a sua mãe, “Maria, minha hora ainda não chegou” , mas ela, toma a iniciativa e vai até os serventes e diz: “fazei tudo o que Ele vos disser.”

Lembrando que esse foi o primeiro milagre de Jesus, Ele não havia feito nenhum milagre antes, mas porque, Maria conhecia o coração de Jesus, ela ousou e assumiu o risco e de pedir a ajuda ao seu Filho por aquele casal das Bodas de Caná.

Se Maria fez isso por aquele casal, também não fará por cada um de nós que estamos aqui? Convido você para colocar nas mãos de Maria os seus problemas, para que ela interceda por você e com você junto a Jesus.

Tenhamos um coração grato a Deus pela vida de Maria, por nos aceitar como filhos, por nos abrir o coração para o Espírito Santo, por enviar os seus anjos para nos apoiar. Digamos juntos: obrigado Maria, pois você caminha comigo; obrigado Maria, porque hoje eu aprendi algo muito importante, que “Eu não posso viver sem Mãe”.

Transcrição e Adaptação: Mariana Lazarin Gabriel

terça-feira, 29 de julho de 2014

A mais antiga oração de Nossa Senhora

n_senhora8No ano de 1927, no Egito, foi encontrado um fragmento de papiro que remonta ao século III. Neste fragmento estava escrito: “À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!”.
Esta oração conhecida com o nome “Sub tuum praesidium” (À vossa proteção) é a mais antiga oração a Nossa Senhora que se conhece. Tem ela uma excepcional importância histórica pela explícita referência ao tempo de perseguições dos cristãos (Livrai-nos de todo perigo) e uma particular importância teológica por recorrer à intercessão de Maria invocada com o título de Theotókos (Mãe de Deus).
Este título é o mais belo e importante privilégio da Virgem Santíssima. Já no século II, era dirigido à Maria e foi objeto de definição conciliar em Éfeso no ano de 431. Maria, Mãe de Deus! Qual é, na mente da Igreja e da Tradição, o genuíno e profundo sentido deste dogma mariano central?São Tomás afirma que pelo fato de ser mãe de Deus: “A Bem Aventurada Virgem Maria está revestida de uma dignidade quase infinita, a causa do bem infinito que é o mesmo Deus. Portanto, não se pode conceber nada mais elevado que ela, como nada pode haver mais excelso que Deus”(Suma Teológica 1, q.25, a.6 ad 4.). E, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica.
Denominada nos Evangelhos “a Mãe de Jesus” (João 2,1;19,25[a72]), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como “a Mãe de meu Senhor” (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (CIC 495)
O Concílio de Éfeso tem a glória de ser o grande Concílio Mariano, pois seu dogma destruiu a maior heresia contra a Virgem e pôs a pedra angular de toda a Mariologia. A igreja com o decorrer do tempo iria descobrindo os grandes tesouros encerrados na Maternidade Divina de Maria.
Porém, é necessário compreender o que a Igreja quer dizer quando fala em Maria como mãe de Deus. Jesus Cristo, segunda pessoa da santíssima Trindade, existe desde toda a eternidade. Ele procede do Pai por uma geração espiritual, na qual não intervém evidentemente nenhuma criatura humana. Portanto, Maria não é mãe do Filho de Deus quanto à sua origem divina, mas é mãe do “verbo encarnado”, do Filho de Deus feito homem.
Maria deve ser chamada Mãe de Deus, porque a maternidade se refere sempre à pessoa. A mãe de um homem não é só a mãe de seu corpo. Ela é mãe da pessoa toda. Assim também Maria é mãe de seu Filho, como pessoa divina e humana que Cristo é.
Convém ainda recordar que esta questão já foi tratada na era patrística, isto é, no Cristianismo primitivo. De fato, Nestório, bispo de Constantinopla, negava o título de “Theotokos” (“Mãe de Deus”) a Maria. Nestório sabia muito bem que isto significava a consequente negação da natureza de Cristo, homem e Deus.
A mesma história patrística mostra a forte reação dos cristãos contra Nestório, que resultou no Concílio de Éfeso, no ano de 431, reconhecendo a legitimidade do título de Mãe de Deus, dado a Maria, e condenando as ideias nestorianas.
Por Diácono Inácio de Almenida EP.
Fonte: Gaudium Press

domingo, 27 de julho de 2014

Como surgiu a Oração mariana do Angelus?

2014-07-27 Rádio Vaticana - Cidade do Vaticano (RV) 
Milhares de pessoas reúnem-se ao meio-dia de domingos e Dias Santos na Praça São Pedro, para acompanhar a Oração mariana do Angelus conduzida pelo Papa Francisco. Mas, como se desenvolveu esta tradição?
A recitação do Angelus, acompanhada pelo badalar dos sinos das igrejas, teve início no século XIII, de grande devoção mariana. Era chamada na época de “oração da paz”, pois o objetivo era honrar o Filho de Deus que, encarnando-se no seio da Virgem Maria, colocou os fundamentos da paz entre Deus e os homens. A oração era rezada somente no início da noite, pois se acreditava que o Arcanjo Gabriel apresentou-se a Virgem Maria ao entardecer. Inicialmente era composta pelas palavras da primeira parte da Ave Maria, repetidas diversas vezes. Somente mais tarde assumiu a fórmula rezada atualmente.

Alguns defendem que a prática tenha nascido na Alemanha, no início do século XIII, baseados em expressões marianas escritas em sinos. Outros atribuem a origem da prática mariana a Gregório IX, (por volta de 1241), o Papa que foi eleito aos 85 anos.
A primeira notícia precisa sobre o Angelus Domini remonta a 1269, período em que São Boaventura de Bagnoregio, conhecido como “dr. Serafico”, foi Geral da Ordem franciscana. De fato, durante o Capítulo Geral dos Frades Menores realizado em Pisa, foi prescrito aos frades a saudação a Nossa Senhora todas as noites, com o som dos sinos e a recitação de algumas ‘Ave Marias’, recordando o mistério da encarnação do Senhor. Foi estabelecido também, que nas pregações, “os freis deveriam persuadir o povo a saudar algumas vezes a Bem aventurada Virgem Maria ao som do sino de Compieta, à noite”.
Já no Sínodo de Strigonia (Hungria), em 1307, um Decreto prescreveu que os sinos deveriam tocar todas as noites “instar tintinnabuli” (docemente) e os fiéis que tivessem recitado três Ave Marias receberiam indulgência plenária. Com o passar do tempo, a oração passou a ser rezada também durante a manhã, a partir de 1400. Mas foi o Papa Calisto III, em 1456, que prescreveu o baladar dos sinos do Angelus também ao meio-dia com a oração de três Ave Marias.
Por fim, um Sínodo realizado em Colônia no início do século XV,
estabelecia claramente: “De agora em diante, todos os dias, em cada igreja, no nascer do sol, seja tocado três vezes os sinos como se costuma fazer ao entardecer, para saudar a Virgem gloriosíssima”. E se concedia indulgência àqueles que, durante o tocar dos sinos, tivessem recitado três Ave Marias.
O Papa Paulo VI, incluiu a oração no documento Marialis cultus, exortando a manter vivo o costume de recitá-la diariamente. O Angelus também foi uma oração muito cara ao Papa João Paulo II, que a constituiu momento de encontro com fiéis de todo o mundo, na Praça São Pedro.
Angelus do meio-dia – hoje o mais difundido, mesmo porque é vivido como forma de parada nos cansaços do dia e elevação do pensamento a Mãe do Céus – foi o último a ser introduzido na prática dos fiéis e difundiu-se muito lentamente.
Em 1475, o Rei da França, Luis XVI, obteve do Papa Sisto IV que fossem concedidos 300 dias de indulgência àqueles que “ao meio-dia recitassem devotamente três Ave Marias pelo bem da paz e a unidade do Reino”. Tal prática – chamada por isto ‘a Ave, Maria da paz” – foi logo colocada em relação com a Ave Maria da noite e transformada no Angelus do meio-dia.
Sob o Pontificado do Papa Sisto IV (1471-1484) o Angelus do meio-dia foi introduzido também na Inglaterra, a pedido da Princesa Elizabeth, futura mãe de Henrique VIII. Em um livro de orações de 1526 se especificava que Sisto IV havia concedido especial indulgência a quem tivesse recitado “três Ave Marias às 6 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde”.
Pio XII inaugurou o encontro com os fiéis, assomando à janela do escritório do palácio Apostólico para “dar uma palavra de fé aos fiéis e a bênção e João XXIII introduziu outras palavras à oração do Angelus.
Já a primeira ‘transmissão’ do Angelus festivo ocorreu com o Papa Pio XII, em 15 de agosto de 1954, em Castel Gandolfo, por ocasião da convocação do Ano Mariano Universal. Antes da oração, o Padre Francesco Pellegrino explicou a importância do acontecimento e o significado da homenagem a Maria, desejada “para que todos os fiéis pudessem unir-se ao Papa na saudação a Mãe de Deus”.
(JE)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Senhor quer nos fazer reviver

Mensagem do dia

Quinta-Feira, 19 de junho 2014

No livro de Ezequiel, capítulo 37, o profeta nos fala sobre os “ossos ressequidos”. Ele explica de quem são estes ossos ressequidos, como podemos ler no versículo 11: “Filho do homem estes ossos são toda a casa de Israel”.O Senhor quer nos dizer que esses ossos são toda a nossa casa, nossa família.

Pode ser que esses ossos ressequidos sejam você. Caso você se sinta assim, acolha essa palavra. Não sei por que você chegou a esse ponto. Talvez, olhando para sua vida, para sua casa, para os seus, você já tenha desistido, desanimado, e até diga que está tudo acabado, sem jeito.
Pode ser que as pessoas tenham saído de sua casa e estejam nessa situação narrada pelo profeta fala.

Talvez, seja você a única pessoa que ainda garanta a presença do Senhor na sua casa. Ele se alegra por isso e lhe diz: “Não desanime!". Quando a esperança acaba, é um desastre, porque ela nos sustenta. A esperança é para nós como o esqueleto é para o corpo, ou seja, está intimamente ligada com a fé. Se nos faltar esperança, nossa fé cairá; assim como nossa carne cairia se nos faltassem os ossos. O Senhor quer reacender em nós o Seu Espírito para nos fazer reviver.

Pode ser que você até se pergunte: “Por que isso não acontece?”. Porque há um outro fator, a liberdade da pessoa humana. Por exemplo: nós temos a possibilidade de ver tudo o que está ao nosso derredor, mas, se decidirmos fechar nossos olhos, não veremos nada. Assim fazemos muitas vezes, seja por um ato de vontade ou de teimosia, pois insistem em fechar os olhos e até o coração. 



Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Regina Caeli: A alegria da Páscoa não é uma maquiagem, mas vem do coração

2014-04-21 Rádio Vaticana
 Cidade do Vaticano (RV) – Nesta Segunda-feira de Páscoa, o Papa Francisco rezou com os fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro a oração do Regina Caeli, que neste tempo pascal substitui a oração do Angelus.
Nesta semana, disse o Papa, podemos continuar com as felicitações de Páscoa, como se fosse um único dia. “É o grande dia que o Senhor fez.”
O sentimento dominante que transparece dos relatos evangélicos da Ressurreição é a alegria repleta de estupor, e na Liturgia nós revivemos o estado de espírito dos discípulos pela notícia que as mulheres traziam: Jesus ressuscitou!
“Deixemos que esta experiência, impressa no Evangelho, se imprima também nos nossos corações e transpareça na nossa vida. Deixemos que o estupor jubiloso do Domingo de Páscoa se irradie nos pensamentos, nos olhares, nas atitudes, nos gestos e nas palavras... Mas isso não é uma maquiagem! Vem de dentro, de um coração imerso na fonte desta alegria, como o de Maria Madalena, que chorou pela perda do seu Senhor e não acreditava nos seus olhos vendo-o ressuscitado.”
Quem faz esta experiência, acrescentou o Pontífice, se torna testemunha da Ressurreição, porque num certo sentido ele mesmo ressuscita. Então é capaz de levar um “raio” da luz do Ressuscitado nas diversas situações humanas: naquelas felizes, tornando-as mais belas e preservando-as do egoísmo; e naquelas dolorosas, trazendo serenidade e esperança.


Nesta Semana, disse ainda o Papa, nos fará bem pensar na alegria de Maria, a Mãe de Jesus. Assim como a sua dor foi íntima, a ponto de traspassar a sua alma, do mesmo modo a sua alegria foi íntima e profunda, e desta os discípulos puderam compartilhar.
Através da experiência de morte e ressurreição do seu Filho, vistas, na fé, como a expressão suprema do amor de Deus, o coração de Maria se tornou uma fonte de paz, de consolação, de esperança e de misericórdia. “Todas as prerrogativas da nossa Mãe derivam daqui, da sua participação na Páscoa de Jesus. Ela morreu com Ele; ela ressuscitou com Ele. De sexta-feira até a manhã de domingo, Ela não perdeu a esperança: a contemplamos como Mãe das dores, mas, ao mesmo tempo, Mãe repleta de esperança. Por isso, é a Mãe de todos os discípulos, a Mãe da Igreja”, explicou.
“A Ela, silenciosa testemunha da morte e da ressurreição de Jesus, peçamos para nos introduzir na alegria pascal”, concluiu Francisco.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A conversa de Maria com Jesus morto, segundo Santo Anchieta

2014-04-16 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta Quarta-feira Santa relembramos o Calvário de Jesus em sua Paixão a partir de uma abordagem inaciana, inspirando-nos na recente canonização de José de Anchieta. Amplamente representada e encenada em paróquias e catedrais, a narração evangélica foi e tende a ser sempre mais teatralizada e levada às telas em tradicionais ou extravagantes superproduções cinematográficas.
Mas o que nem todos sabem, ou relatam, são as conversas de Maria com Jesus, ao ter o corpo do filho morto em seus braços. Difícil, a dor de Maria era consolada pela certeza da presença da mão condutora do Pai e da fidelidade de Suas promessas. Embora não conste nos Evangelhos, Nossa Senhora, mulher das dores, compartilha os sofrimentos de seu Filho, o homem das dores.
O mais novo Santo da Igreja, refém dos índios tamoios e isolado por 2 meses na Praia de Iperoig, descreveu em versos os sofrimentos de Jesus Cristo até o escândalo da Cruz, sob os olhos da Virgem Maria, que ao seguir para aquela fatídica Páscoa em Jerusalém, sabia o que estava por acontecer.
Neste tempo pascal e neste ano também anchietano, a proposta é meditar sobre o sofrimento de Jesus e de Maria especialmente com o poema do Santo que põe em vista a compaixão e o pranto da Virgem.
Por que ao profundo sono, alma, tu te abandonas,
e em pesado dormir, tão fundo assim ressonas?
Não te move a aflição dessa mãe toda em pranto,
que a morte tão cruel do filho chora tanto?
Se o não sabes, a mãe dolorosa reclama
para si quanto vês sofrer ao filho que ama.
Pois quanto ele aguentou em seu corpo desfeito,
tanto suporta a mãe no compassivo peito.
O sacrifício do Filho do Altíssimo no altar da Cruz foi também o sacrifício da Mãe de Deus. No Calvário, Nossa Senhora diz novamente aquele sim que disse à vontade do Pai na Anunciação (cf. Lc 1, 38). O oferecimento de Cristo ao Pai em sacrifício pelos nossos pecados foi também a entrega em sacrifício de Maria, por amor de toda a humanidade:
Mas a fruta preciosa, em teu seio nascida,
à própria boa mãe dá para sempre a vida,
e a seus filhos de amor que morreram na rega
do primeiro veneno, a ti os ergue e entrega.
O coração de Jesus Cristo era também o coração da Virgem Maria, transpassado pela dor de Mãe devido à morte do seu único Filho. A vida do Filho de Deus, totalmente entregue à vontade do Pai, era a mesma vida da Virgem Mãe, que se entregou inteiramente ao desígnio do Altíssimo:
Sucumbiu teu Jesus transpassado de chagas,
ele, o fulgor, a glória, a luz em que divagas.
Quantas chagas sofreu, doutras tantas te dóis:
era uma só e a mesma a vida de vós dois!
Este coração, de Jesus e de Maria, é para nós morada de paz no mundo e torrente de Água Viva que jorra para a vida eterna. Peçamos a Virgem Maria que sejamos purificados nesta fonte.
Ó morada de paz! sempre viva cisterna
da torrente que jorra até a vida eterna!
Esta ferida, ó mãe, só se abriu em teu peito:
quem a sofre és tu só, só tu lhe tens direito.
Nesta Semana Santa, tempo de conversão, meditemos com Padre José de Anchieta sobre as dores, os sofrimentos da Santíssima Virgem Maria. Vamos nos entregar à intercessão do Santo “Apóstolo do Brasil” para que o nosso coração esteja no Coração de Cristo.
Como herdeiros do entusiasmo apostólico de Anchiet, deixemos que seu exemplo ilumine nossa ação pastoral. Seu amor a Jesus deve encher nosso coração de uma grande paixão por Ele. Sua dedicação diária deve ser um estímulo para também nós renovarmos nossa entrega total ao Reino de Deus. E terminamos com as palavras do Papa Francisco na audiência geral desta Quarta-feira Santa:
"E quem ama passa da morte à vida. É o amor que faz a Páscoa".

sábado, 5 de abril de 2014

A Virgem ao meio dia


Vejo a igreja aberta e entro. 
Mas não é para rezar, ó Mãe, que eu estou aqui dentro. 
Nada tenho a pedir; nada para dar. 

Venho somente, Mãe para te olhar... 
Olhar-te, chorar de alegria, sabendo apenas isto que sou teu filho e tu estás aqui, Mãe de Jesus Cristo! 
Ao menos um instante, enquanto tudo pára (meio-dia), estar contigo neste lugar em que estás ó Maria. 

Nada dizer, olhar-te simplesmente o rosto, e deixar o coração cantar o seu gosto. 
Porque tu és bela, porque tu és imaculada, a mulher na graça reintegrada. 
A criatura em sua honra primeira e na plenitude final, tal como saiu das mãos e Deus em seu esplendor inicial. 

Porque estás sempre aqui, porque existes, simplesmente por isto, muito, muito obrigada, Mãe de Jesus Cristo. 


Paul Claudel

Referência: Verde conquista - Pe. João Carlos 
Fonte Paulinas