segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Festa da Natividade de Nossa Senhora


A Natividade de Nossa Senhora é celebrada pelos cristãos do Oriente desde o início do cristianismo.  Já no Ocidente, ela passou a constar do calendário litúrgico a partir do século VII.  Neste ano, será celebrada no dia 08 de setembro.

Celebrar a natividade de Maria é, em um sentido bastante humano, celebrar a festa de seu aniversário.  E como gostamos de celebrar o aniversário daqueles que nos são queridos!...  Maria nasceu de uma forma humana como cada um de nós: fruto do amor entre um homem e uma mulher, viveu em família e como toda jovem de seu tempo, um dia sonhou em casar-se e constituir sua própria família.

Uma vida normal, que talvez seguisse anônima se não fosse a sua aceitação total à vontade de Seu Senhor.  Maria, escolhida por Deus para ser mãe de seu Filho que encarnaria para a salvação da humanidade, recebe esta escolha, não sem antes questionar – o questionamento próprio da natureza humana – mas profundamente aberta ao caminho que o Pai passava a lhe mostrar.

Por isso tudo, celebrar a natividade de Nossa Senhora é celebrar um marco fundamental da história da salvação. Peça fundamental nessa história, Maria é a intercessão que ligará a Trindade à humanidade.  Através de seu corpo, por Deus preparado livre do pecado, Jesus vem ao mundo e nele realiza seu mistério salvífico.

Que a Festa da Natividade nos faça relembrar essa história tão especial, com os olhos agradecidos diante daquela que soube dizer sim e, através disso, tornar-se mãe não somente de Jesus, mas de toda a humanidade.

Uma oração pelo nascimento de Maria:
Abri, ó Deus, para os vossos servos e servas os tesouros da vossa graça; e assim como a maternidade de Maria foi a aurora da salvação, a festa de seu nascimento aumente em nós a vossa paz.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Texto Bíblico sugerido:  Mt 1, 1-16.18-23
Fonte http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=9210&cod_canal=32

domingo, 7 de setembro de 2014

A graça da Natividade de Maria

Maria menina e Sant’Ana
Desde o princípio de sua vida, a Santíssima Virgem foi confiado o ofício de Medianeira de toda humanidade. Tal ofício reclamava antecipadamente a Maria um cabedal de graças maior do que o concedido a todos os homens. O Filho Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens e Maria é medianeira de graça pela via da intercessão e de seus méritos. A Virgem ofereceu os seus méritos pela salvação de todos os homens e Deus aceitou-os por graça, juntamento com os merecimentos infinitos de seu Filho Jesus Cristo. “Para todos Maria desejou, procurou e obteve a salvação. Assim, pois, todo bem, todo dom de vida eterna recebido de Deus, por cada santo, lhe foi dispensado por meio de Maria”5.
A Natividade da Santíssima Virgem Maria, que vem ao mundo revestida da graça, é a alvorada que é prenúncio da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador da humanidade. O nascimento de Maria é uma festa digna de ser celebrada com louvores universais. Pois, se o nascimento de um filho, que vem ao mundo com a mancha do pecado original, é um dia de festa para sua família, muito mais comemorado deve ser o nascimento da Menina Imaculada na grande família que é a Igreja. Para compreender o grau de santidade e as graças e virtudes com que Maria foi enriquecida desde o primeiro instante de sua vida, precisamos compreender a eleição divina à tão grande vocação, que é a de ser Mãe do Verbo de Deus. Para entrar neste mistério da graça que é Maria, também nos é necessário entender o ofício que lhe será confiado, de Medianeira de todas as graças. Por sua vocação e ofício, Nossa Senhora supera, com a sua santidade e os seus méritos, toda a corte celestial, tanto que “não convinha a Deus outra Mãe que não Maria, e a Virgem Maria não convinha outro Filho senão Deus”1.
A alma da Virgem Maria é a mais bela que Deus criou. Depois da Encarnação do Verbo, Maria foi a obra mais formosa e mais digna criada pelo Altíssimo. Ela é uma maravilha que só é excedida pelo próprio Criador. A graça não desceu sobre Maria aos poucos, como acontece com os santos, mas como uma chuva de graça absorvida por ela com grande alegria, como num velo, sem perder uma só gota2. Por isso, podemos dizer que ela possui em plenitude o que possuem só em parte os santos. A graça que adornou a Santíssima Virgem ultrapassa não somente cada um em particular, mas a de todos os santos reunidos. “Maria, desde o primeiro instante de sua Conceição Imaculada, recebeu uma graça superior à de todos os anjos e santos juntos”3.
A Virgem Maria foi predestinada, escolhida desde todos os séculos, para ser Mãe do Verbo Divino. Na Mãe de Deus realizou-se a união hipostática, a união do Verbo, da natureza divina, com a natureza humana. Em vista desta predestinação, Maria foi elevada a uma ordem superior à de todas as outras criaturas. A Nossa Senhora foram concedidos dons de ordem superior, que excedem incomparavelmente os que foram conferidos às demais criaturas. “Em vista da escolha de Maria para Mãe de Deus, convinha certamente que o Senhor, desde o primeiro instante, a adornasse com uma graça imensa, superior em grau à de todos os outros homens e anjos”4.
Maria Santíssima, a celeste menina, tanto pela vocação de Mãe do Redentor, quanto pelo ofício de Medianeira de todas as graças, recebeu, desde o primeiro instante de sua vida, graça mais abundante que a de todos os anjos e santos reunidos. Que admirável espetáculo para a Terra e para o Céu o nascimento dessa alma Bem-aventurada! Desde o ventre de sua mãe, Maria “era a criatura mais amável aos olhos de Deus, pois que, já cumulada de méritos, podia dizer: quando era pequenina agradei ao Altíssimo”6. Na Terra, e depois no Céu, Maria é a criatura mais amante de Deus. Nos alegremos, pois nos foi dada Maria, esta Mãe maravilhosa, admirável, cuja santidade excede a de todos homens e anjos juntos. No Céu, Maria permanece intercedendo por cada um de nós e, ao mesmo tempo, ela está muito próxima, cuidando de nós com seu amor de Mãe. Nossa Senhora da Natividade, rogai por nós!
Referências:
1 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIOGlórias de Maria3ª ed. Aparecida: Santuário, 1989, p. 262.
2 Cf. Sl 71, 6.
3 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Op. cit., p. 259.
4 Idem, p. 260.
5 Idem, p. 263.
6 Idem, p. 265.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo e fotógrafo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria descobriu um caminho mais fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensinar a outros esse caminho "a Jesus por Maria" é o seu maior apostolado.

sábado, 6 de setembro de 2014

Maria, Mãe de Deus


Jesus enquanto plenamente Deus não era descendente de ninguém, pois procede do Pai e com o Pai e o Espírito Santo, forma apenas um. Entretanto, negar a maternidade divina de Maria é negar a redenção. Se as naturezas humana e divina de Jesus fossem separadas, então o sacrifício na cruz não teria servido para nada. Nosso Senhor teria morrido em vão.
Os sacrifícios do Antigo Testamento não limpavam a mancha do pecado, que é uma ofensa infinita a Deus. Eles apenas limpavam parcialmente. Ora, se o pecado é uma ofensa infinita a Deus, então há necessariamente que ter um sacrifício infinito capaz de limpar os pecados da humanidade.
Se a natureza humana de Jesus é distinta da natureza divina, como alegaram diversas correntes heréticas no decorrer da História, quem morreu na cruz foi um homem, pois a divindade não morre. Se quem morreu na cruz é um homem, então o pecado não foi remido, pois se assim fosse, qualquer homem que fosse oferecido em sacrifício teria sido suficiente para redimir os pecados da humanidade. Tomando este raciocínio os concílios da Igreja, condenaram tais teses.
Muito diferente, entretanto, foi o Santo Sacrifício de Cristo. Ele, morrendo na cruz, de uma vez por todas venceu o pecado através de sua morte e ressurreição. Então, quando Maria gerou Jesus, ela gerou de fato um ser plenamente homem e plenamente Deus, cujas naturezas são inseparáveis és a doutrina sempre professada pela Igreja.
Dessa maneira, o Sacrifício de Cristo foi um sacrifício infinito, pois foi um sacrifício de um Deus que se fez homem em tudo, exceto no pecado. Sendo infinito, esse sacrifício lavou nossas culpas e nos fez filhos de Deus.
Portanto, se Nossa Senhora não é Mãe de Deus, as naturezas humana e divina de Nosso Senhor têm que ser distintas e certamente o sacrifício teria sido inútil, tomando este raciocínio o Arianismo, negou a maternidade divina de Maria e o uso do título, Mãe de Deus. No entanto o Concílio de Éfeso em 431 d.C. confirmou dogmaticamente a Maternidade divina de Maria. Assim as naturezas humana e divina de Jesus estão unidas, foram geradas no corpo de Cristo no ventre de Maria Santíssima, tornando possível a redenção.
As mães de todos nós não são capazes de gerar almas, pois a alma quem gera é Deus. Entretanto, essa incapacidade não tira delas o título de mães nossas. De forma semelhante, Maria por não ser Mãe de Cristo enquanto Deus anterior a Maria; não tira dela o título de Mãe de Deus, pois Jesus Cristo é ao mesmo tempo tão humano que teve de ser gerado por uma mulher e tão Deus que nos remiu de nossos pecados. A encarnação é, portanto, um mistério insondável aos olhos humanos.
Fonte Canção Nova
Eduardo Moreira e John Lennon J. da Silva

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Por que batizar uma criança?

“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, como também todos os de tua casa”
O batismo é um sinal visível da realidade oculta da salvação, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, número 774. A Igreja ensina isso a respeito de todos os sacramentos; nesse caso, o sacramento se mostra visível pelo sinal da água, que é derramada sobre a criatura. Por meio dessa graça, a pessoa se torna filho ou filha de Deus.
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No início da Igreja, os apóstolos obedeceram ao mandato do Senhor: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos que os apóstolos foram testemunhas do principal evento da humanidade: a Morte de Jesus por amor à humanidade e Sua Ressurreição.
Os apóstolos anunciavam o Cristo, e aqueles que aderiam a Ele eram batizados. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16,16). Quando Pedro anunciou Jesus para a família de Cornélio, este e toda sua família foram batizados. Ora, será que só havia adultos na família? Quando o carcereiro fez uma experiência de Deus, o que Paulo disse a ele? “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, como também todos os de tua casa”; depois, completou o autor dos Atos dos Apóstolos: “E, imediatamente, foi batizado, junto com todos os seus familiares (cf. Atos 16,31-33). Será que as crianças não faziam parte da família?
Jesus sempre quis bem às crianças. “Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isso, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: ‘Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará’” (Lc 18, 15-17).
Podemos constatar que há batismo de crianças no tempo da Igreja primitiva, pois Jesus quer bem a elas. Se ganho algo bom, quero partilhar com os meus. Os adultos fizeram uma experiência com Jesus Salvador e foram batizados e conquistaram esse sacramento também para os seus filhos.
Em nossa Igreja, os sacramentos da iniciação são: batismo, Eucaristia e crisma, sendo o primeiro a porta de entrada para os demais. Após o batismo, os pais e padrinhos se tornam os principais evangelizadores e catequistas dos neobatizados, vão ensiná-los sobre a fé e proporcionar-lhes experiências de oração. O padrinho deve ser presente e dar testemunho de fé em Jesus Cristo, esse é o maior presente que pode e deve dar ao seu afilhado.
O batismo, além da graça da filiação divina, concede o perdão dos pecados. A criança possui pecado? Sim, ela possui o pecado original, que significa o mal cometido por Adão e Eva. Eles foram chamados à santidade original – todos os homens foram e são chamados à santidade em Adão e Eva. Uma vez que os primeiros pais pecaram pela desobediência, a santidade original foi ferida. O apóstolo São Paulo confirmou isso quando disse: “Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação…” Mas como uma criancinha pode ter pecado?
O pecado não foi cometido e sim transmitido. O Catecismo da Igreja Católica ainda ensina “é um pecado «contraído» e não «cometido» um estado, não um ato.” (n. 404), e a consequência dele é a morte da alma. Por essa razão, a Igreja confere o batismo às crianças. Que desgraça foi o pecado original! No entanto, o mesmo São Paulo continuou: “Assim também, pela obra de justiça de um só [Cristo], virá para todos a justificação que dá a vida” (Rm 5,18). Jesus Cristo concede a graça da santidade original graças à Sua Páscoa e todo aquele que O acolhe e é batizado e salvo (cf. Mc 16,16).
Enfim, o batismo é um sacramento, uma graça sobrenatural. Já ouvi testemunhos em que os pais disseram que a criança havia melhorado após o batismo ou que nasceu com problemas e tiveram de batizá-la ali mesmo no hospital, às pressas, e ela saiu de lá sadia. Não é superstição. O batismo é um sinal visível de uma graça invisível, pode e é recomendado pela Igreja, insere a pessoa na linda família cristã, perdoa o pecado original e devolve a santidade original, a qual, a partir daí, deve ser ajudada com os pais, padrinhos e pela comunidade de fé.
Fonte Canção Nova

Padre Marcio

Padre Márcio do Prado, natural de São José dos Campos (SP), é sacerdote na Comunidade Canção Nova. Ordenado em 20 de dezembro de 2009, cujo lema sacerdotal é “Fazei-o vós a eles” (Mt 7,12), padre Márcio cursou Filosofia no Instituto Canção Nova, em Cachoeira Paulista; e Teologia no Instituto Mater Dei, em Palmas (TO). Twitter: @padremarciocn

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Quem pode fazer a consagração a Maria?


Saiba quem pode fazer a consagração total a Virgem Maria.
Uma das principais dúvidas que surgem a respeito da consagração total, ou escravidão de amor, a Santíssima Virgem Maria é: quem pode fazer a consagração? Para responder a esta questão, partiremos da definição de que a consagração a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, é uma “perfeita renovação dos votos ou promessas do santo Batismo”1. Como no Batismo, por esta devoção, renunciamos ao Demônio, ao mundo, ao pecado e a nós mesmos, entregando-nos inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria2. A consagração se faz necessária, em primeiro lugar, porque geralmente quem faz estas promessas em nosso lugar são os pais e padrinhos, a não ser no caso dos batizados depois da idade da razão3. Na maioria dos casos, “a entrega a Jesus Cristo é feita por intermediários”4. Nesta devoção, entregamo-nos a Jesus Cristo por nós mesmos, voluntariamente, e com conhecimento de causa5. Além disso, a consagração se faz necessária também porque facilmente nos esquecemos das promessas batismais. A partir da compreensão preliminar de que a consagração a Nossa Senhora, segundo ensina-nos São Luís Maria, é uma perfeita renovação das promessas batismais, reponderemos a questão: quem pode consagrar-se a Virgem Maria?

Considerando a consagração como a perfeita renovação dos votos do Batismo, a primeira consequência lógica é que quem vai se consagrar seja batizado na Igreja Católica e tenha pelo menos sete anos de idade, que é considerada a idade da razão. Pois, para assumir com conhecimento de causa esta consagração, é necessário compreender o que ela é e quais os deveres do consagrado a Santíssima Virgem. As crianças menores de sete anos que desejarem se consagrar a Nossa Senhora antes dessa idade podem se consagrar a Deus Pai em Maria, segundo o método do movimento eclesial Armada Branca. Os objetivos principais da Armada Branca são: a formação dos “Ninhos de Oração”, nos quais as crianças oferecem suas orações e sacrifícios a Nossa Senhora; a preparação das crianças para a Sagrada Comunhão logo que estas atinjam da idade do uso da razão. A consagração proposta por este movimento é inspirada na consagração ensinada por São Luís Maria e segundo a vontade do Padre Pio de Pietrelcina6.
Os batizados católicos, e muito mais os consagrados a Virgem Maria, devem renunciar ao Demônio, ao mundo, ao pecado e a si mesmos, entregando-se inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria. Mas, além destes deveres, como todos os batizados, os consagrados também devem receber os sacramentos no tempo oportuno: a Confirmação ou Crisma; a Confissão ou Penitência; a Comunhão ou Eucaristia. Consequentemente, somente quem está em dia com suas obrigações de católico pode legitimamente consagrar-se a Virgem Maria. Isso não significa que precisamos ser perfeitos para nos consagrar, mas estar em dia com as obrigações que temos perante a Igreja é o mínimo necessário para começar um caminho de santificação, que é justamente o que é a devoção ensinada por São Luís.

Como consequência desta nossa reflexão, não poderíamos deixar de responder a esta questão: os casais em segunda união podem fazer a consagração? Para começar a responder esta questão, recordamos que a consagração, como vimos acima, é um caminho de santificação que requer a prática sacramental. Como os casais de segunda união vivem um tempo em suas vidas no qual não podem receber os sacramentos, especialmente a Confissão e a Eucaristia, eles não podem viver plenamente a consagração à Nossa Senhora. Não é possível que estas pessoas se consagrem legitimamente, pois elas não podem assumir compromissos da consagração, visto que são incapazes de os cumprir. Por isso, aconselhamos os casais de segunda união a unirem-se à cruz de Cristo, aos seus sofrimentos, e a darem os passos concretos para tentar regularizar suas situações no Tribunal Eclesiástico, que pode declarar a nulidade do matrimônio.
Portanto, sendo a consagração uma perfeita renovação das promessas do Batismo, quem pode consagrar-se a Virgem Maria são aquelas pessoas que podem e querem ser fiéis a Deus e ao compromisso do sacramento que receberam. Primeiramente, é necessário ser batizado e estar em dia com suas obrigações de católico. Pois, como a consagração é um caminho de santificação, não é aconselhável começá-lo sem o mínimo de preparação. Isso não significa que as pessoas que não se consagram não se santificam. É possível a santificação por outros meios, por outros caminhos, que a própria Igreja pode nos indicar. A consagração é um auxílio a mais, é um caminho de santificação mais fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar à perfeição cristã7, a Jesus Cristo e à salvação. Por fim, consagrados ou não, entreguemos as nossas vidas a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria, pedindo a Mãe do Senhor que nos tome pela mão e nos leve cada vez mais pelos caminhos do seu Filho. Nossa Senhora da Piedade, rogai por nós!
Referências:
1 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Fraternidade Arca de Maria, 2002, 126.
2 Cf. idem, ibidem.
3 A Igreja considera que a partir dos sete anos de idade a pessoa pode ter suficiente uso da razão para assumir pessoalmente os direitos e deveres de todo católico batizado. Cf. A SANTA SÉ. Código de Direito Canônico, cânon 11.
4 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 126.
5 Cf. idem, ibidem.
6 Cf. BLOG TODO DE MARIA. Armada Branca de Nossa Senhora.
7 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 152.

Fonte Canção Nova
Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo e fotógrafo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria descobriu um caminho mais fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensinar a outros esse caminho "a Jesus por Maria" é o seu maior apostolado.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Maria, Mãe de Deus e nossa

Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, Nossa Senhora de Nazaré, aqui estamos, mais uma vez, para conversar contigo e de ti aprendermos a viver com Jesus, de Jesus e para Jesus. Conduze-nos a Ele, para que recebamos seu amor e sua graça.

Muitas imagens e pinturas foram feitas para retratar-te, ó Maria. Quantos títulos foram cunhados pelos poetas e pelo povo, porque Deus te deu a graça de manifestar-te, modelo e intercessora, em muitas partes desta terra de nosso Deus. Aqui no “mundo do Círio”, és chamada de Nossa Senhora de Nazaré! Deixa-nos entrar um pouco no mistério que revelas em tua imagem. Deixa-nos levá-la por nossas ruas, porque sabemos que entraste, Viva, Senhora, Irmã e Mãe, em nossos corações. Permite-nos estender as mãos e olhar para ti, como gente sedenta dos sinais que nos conduzem a Deus!

Ao olhar para tua imagem de Nazaré, nós te contemplamos, Mãe, simples e amiga. Teu rosto mostra seriedade e serenidade, delicadeza e firmeza. Por isso olhamos para ti, pois nos mostras o que sonhamos e o que desejamos testemunhar. Sim, ó Virgem de Nazaré, tu és bendita entre as mulheres, a honra de nosso povo, e em ti se encontra o que queremos ser! Obrigado por nos atraíres a ti, à tua glória, tua berlinda e tua presença amorosa.

E vemos que tu tens nos braços o Menino Jesus, em cujas mãos está o mundo. Uma criança, com o mundo nas mãos! Parece tão pequena e tão grande esta criança, capaz de carregar o peso de tudo o que o mundo é! Tu tiveste com o Menino Jesus tamanha intimidade, que participaste de seus sentimentos e o acompanhaste, quando crescia em idade, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. Com Ele caminhaste pelas estradas do mundo, tu o levaste pelos caminhos do Egito, com Ele voltaste a Nazaré, dali a Jerusalém, Caná, Galileia das Nações, ruas e Cenáculo, sempre estiveste com Ele e para Ele viveste, Mãe e Discípula. Dá-nos entrar contigo no mistério do mundo! Ajuda-nos a anunciar a todos a salvação que Ele nos trouxe.

Assista: Maria, medianeira das graças
Tudo foi feito por Deus em Jesus Cristo, e sem Ele nada se fez. Deus fez todas as coisas para um destino de felicidade, tanto que olhou para a sua Obra e ficou muito feliz. Olhamos contigo para o bem que existe na Obra realizada por Deus. Desejamos descobrir sempre as entranhas de bondade presentes em toda a sua Obra. Contigo queremos passear pelo mundo, sonhando com o Jardim que Deus criou!

Ao completar sua Obra, o Pai do Céu criou o homem e a mulher. Que graça imensa saber que estas criaturas foram feitas à imagem e semelhança de Deus, preparadas para responder com amor ao amor infinito! O mundo é cheio de gente, mais ainda, de filhos e filhas de Deus. Ajuda-nos, Maria Mãe, esposa, irmã, senhora, a olhar para todas as pessoas com grande amor. Tira de nosso coração os preconceitos, aproxima-nos das pessoas, especialmente as mais difíceis. Tu que és Mãe de Misericórdia, alcança-nos a graça, que vem de teu Filho amado, de ir ao encontro dos pecadores e das pessoas mais frágeis, para amá-las como Jesus amou. E se tens livre um dos teus braços, agasalha-nos aí, no afago de teu coração e perto de Jesus.

A vida no mundo é uma verdadeira batalha! Tu sabes bem, Maria de Nazaré, o que significa trabalhar, cuidar de um filho, viver como esposa, enfrentar as dificuldades. Senhora da Esperança, nós te reconhecemos parte daquele resto escolhido, os pobres de Javé, que nunca perderam a esperança. Aqui está, na conversa contigo, a porção do mundo que mais sofre e também as pessoas que perderam o sentido de sua vida. Deixa-nos entrar em tua casa, levando pelas mãos estas pessoas. Tu que estiveste de pé aos pés da Cruz, dá um jeito para que entrem pela porta da graça e da salvação, Consoladora dos Aflitos, cuida de todos os que sofrem. Porta do Céu, abre a porta para todos serem acolhidos e amados. Auxílio dos cristãos, pede a Jesus que se fortaleçam os corações cansados e fatigados, que se elevem as mãos vacilantes e a confiança seja restaurada.

Mas o mundo é também para ser vencido, pois nele existe o mistério da iniquidade, a triste realidade do pecado e suas consequências. Não tememos, porque sabemos que teu Filho Jesus já o venceu. Entretanto, precisamos ser corajosos e radicais, não nos acomodando com o mal existente, corajosos para mostrá-lo e buscar soluções. Nós te pedimos, Virgem de Nazaré, sejamos firmes e decididos. Que nunca façamos pactos com a maldade e o egoísmo. Dá-nos os valores do Céu para espalharmos na terra. Como estamos no mundo, “mas não desejamos ser do mundo”, nós te dizemos confiantes.

A ti recorremos, Maria de Nazaré! Rainha da Paz, vem em auxílio dos povos que estão em guerra e entra, com teu amor materno, nas disputas entre povos e pessoas, para que cheguem à reconciliação! Mãe do belo amor, aproxima os inimigos! Saúde dos enfermos, visita os nossos doentes. Refúgio dos pecadores e Mãe de Misericórdia, estende teus braços aos pecadores, roga por nós, agora e na hora de nossa morte. Sede da Sabedoria, ajuda-nos a entender o sentido da vida e vem ajudar as pessoas que devem tomar decisões em nosso mundo. Espelho de Justiça, corrige os que erram na vida, dá discernimento aos que devem se recuperar de seus erros e pede a Jesus, teu Filho amado, que a justiça reine na terra. Causa de nossa alegria, ajuda-nos a manter o coração alegre e o rosto feliz, pela vida da graça em nossos corações.

Maria, Arca da Aliança, que trouxeste em teu ventre o Guarda e Pastor de Israel, aquele que tem palavras de vida eterna e é o Pão da Vida, faze de todos nós este povo unido, sinal da vida verdadeira, que vem do Pai amado, em Cristo, a quem seja dada a honra e a glória, no Espírito Santo. Amém.
Fonte Canção Nova

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Como Maria foi sempre Virgem?

A virgindade perpétua de Maria e a sua maternidade espiritual sobre toda a Igreja.

Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus Cristo, foi sempre Virgem? Santo Agostinho ensina que a perfeita e perpétua virgindade de Maria é um privilégio em honra à Mãe e à dignidade do Filho. Em seus escritos, não se cansava de dizer que “Maria concebeu Cristo, virgem; deu-O à luz virgem; e virgem permaneceu”1. Mas responder essa questão se torna um grande desafio se temos a consciência de que a virgindade dela não é simplesmente um estado ou privilégio, mas um mistério de Cristo, não significa apenas o estado virginal da Mãe do Senhor, mas também, e principalmente, a concepção de Jesus em seu seio. Por isso a pureza de Maria pertence ao mistério de Cristo. A este respeito, Santo Inácio de Antioquia nos ensina que “a virgindade é a forma por meio da qual Maria pertence a Cristo”2.

No pensamento de Santo Agostinho, a pureza de Maria foi tão santa e agradável a Deus, não porque a concepção de Cristo a preservou, impedindo que fosse violada, mas porque, antes mesmo de conceber, “ela já a tinha consagrado a Deus e merecido, assim, ser escolhida para trazer Cristo ao mundo”3. Por isso, Maria perguntou ao Anjo da Anunciação: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem?”4. Certamente, ela não teria dito isso se anteriormente não houvesse consagrado sua castidade a Deus. Nossa Senhora fez essa consagração antes de saber que seria a Mãe do Filho do Altíssimo5. Desse modo, ela já nos ensinava a “imitação da vida no Céu, em um corpo terrestre e mortal, em virtude de um voto e não de um preceito; e realizando-o por opção toda de amor, não por necessidade de obedecer”6.

A Igreja, à semelhança de Maria, é uma virgem desposada a um único Esposo, que é Jesus Cristo. Dessa forma, a Igreja toma como modelo a Mãe de seu Esposo e Senhor. “Pois, a Igreja, também ela, é mãe e virgem”7. Nossa Senhora deu à luz corporalmente a Cabeça do Corpo místico de Cristo, e a Igreja dá à luz espiritualmente os membros desse Corpo. Dessa forma, tanto em Maria quanto na Igreja, a virgindade não impede a fecundidade. Na Virgem Maria e na virgem Igreja, a fecundidade não destrói a castidade, pois a pureza da Igreja, semelhante à de Maria, está na integridade da fé, da esperança e da caridade. Estava no desígnio divino fazer germinar a virgindade no coração da Igreja, por isso, Cristo antecipou-a no corpo de Maria. A castidade de Maria e da Igreja estão intimamente ligadas ao Senhor Jesus. Consequentemente, “a Igreja não poderia ser virgem, se não tivesse por Esposo o Filho da Virgem, a quem se entrega”8.

A fé de nossos irmãos protestantes na divindade de “Jesus Cristo, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria”, é a mesma “fé da Igreja antiga, expressa em todas as suas liturgias que dão a Maria o título de ‘sempre virgem’, reconhecida com unanimidade pelas igrejas locais antes da ruptura do século XVI, reconhecida igualmente pelos primeiros reformadores”9. Contudo, com o passar do tempo, a mariologia dos protestantes distanciou-se bastante daquela dos primeiros reformadores. Isto se reflete nas atuais controvérsias bíblicas, por parte de alguns protestantes, sobre os irmãos de Jesus10, que põe em dúvida a virgindade perpétua da Mãe do Senhor. Ao contrário do que alguns pregam hoje, “os reformadores haviam compreendido o termo irmãos (adelphoi) no sentido de primos e pregaram com nuança sobre a virgindade perpétua de Maria”11.

Portanto, mais do que estado e privilégio, a virgindade perpétua de Nossa Senhora se insere no mistério de Cristo. A virgindade de Maria aponta para a sua entrega total ao desígnio de Deus e para a sua maternidade espiritual sobre toda a Igreja. Nesse sentido, a Virgem Mãe da Igreja é modelo para todos que consagram suas vidas a Jesus Cristo e ao anúncio do Evangelho. Pois, como a Mãe de Jesus, temos a vocação de virgem e mãe, pois a Igreja também é virgem e mãe. Em Maria, temos o modelo, por excelência, da virgindade e da maternidade que todos os cristãos, especialmente aqueles que livremente se consagram pelo voto de celibato, são chamados a exercer. Com Maria, aprendemos que a virgindade pura significa a integridade da fé, da esperança e da caridade, à qual todos nós somos chamados. Com ela, também aprendemos aquela maternidade espiritual que gera os verdadeiros irmãos de Cristo: aqueles que fazem a vontade do Seu Pai, que está nos céus12.

Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!

1. SANTO AGOSTINHO. A Virgem Maria: cem textos marianos com comentários. São Paulo: Paulus, 1996, p. 11.
2. GARCIA PAREDES, Jose Cristo Rey. Mariologia. 3ª ed. Madrid: BAC, 2009, Cf. Inácio de Antioquia, Ephs, 19,1: PG 5,660A; SC 10,88.
3. SANTO AGOSTINHO. Op. cit., p. 52.
4. Lc 1, 34.
5.Cf. Lc 1, 31-32.
6. SANTO AGOSTINHO. Op. cit., p. 52.
7. Idem, p. 49.
8. Idem, p. 93.
9. Idem, p. 161.
10. Cf. Mt 12, 46-50; cf. Mc 3, 31-35; cf. Lc 8, 19-21.
11. Idem, p. 127. Na língua hebraica do original bíblico a palavra irmãos, traduzida em grego por adelphoi, significa todos os primos e parentes.
12. Cf. Mt 12, 50.

Fonte Canção Nova
Natalino Ueda
Missionário da comunidade Canção Nova, desde 2005 cursou Filosofia e Teologia, atua no portal cancaonova.com como produtor de conteúdo é autor do blog Todo de Maria. blog.cancaonova.com/tododemaria