1. A quem me sirva, rezando diariamente meu Rosário, receberá qualquer graça que me peça.
2.Prometo minha especialíssima proteção e grandes benefícios a os que devotamente rezarem meu Rosário.
3. O Rosário será um fortíssimo escudo de defensa contra o inferno, destruirá os vícios, livrará dos pecados e exterminará as heresias.
4.O Rosário fará germinar as virtude este também fará que seus devotos obtenham tudo da misericórdia divina; substituirá no Coração dos homens o amor do mundo pelo amor por Deus e os elevará a desejar as coisas celestiais e eternas. Quantas almas por este meio se santificarão!
5. A alma que se encomende pelo Rosário não perecerá.
6. Aquele que com devoção rezar meu Rosário, considerando os mistérios, não se verá oprimido pela desgraça, nem morrerá morte desgraçada; se converterá, se é pecador; perseverará nas graças, se é justo, e em todo caso será admitido na vida eterna.
7. Os verdadeiros devotos de meu Rosário não morrerão sem auxílios da Igreja.
8. Quero que todos os devotos de meu Rosário tenha em vida e em morte a luz e a plenitude da graça, e sejam participantes dos méritos dos bem-aventurados.
9. Livrarei de pronto do purgatório as almas devotas do Rosário.
10. Os Filhos verdadeiros de meu Rosário desfrutarão no Céu uma Glória singular.
11. Todo o que se pedir por meio do Rosário se alcançará prontamente.
12. Socorrerei em todas as suas necessidades aos que propaguem meu Rosário.
13. Todos os que rezarem o Rosário terão por irmãos na vida e na morte a os bem-aventurados do Céu.
14. Os que rezam meu Rosário são todos filhos meus muito amados e irmãos de meu Unigênito Jesus.
15. A devoção ao Santo Rosário é um sinal de predestinação a Glória.
As Bênçãos do Rosário
1. Os pecadores obtêm o perdão.
2. As almas sedentas são saciadas.
3. Os que estão atados veem seus nós desatados.
4. Os que choram encontram alegria.
5. Os que são tentados encontram tranquilidade.
6. Os pobres são socorridos.
7. Os religiosos são reformados.
8. Os ignorantes são instruídos.
9. Os vivos triunfam sobre a vaidade.
10. Os mortos alcançam a misericórdia por via de sufrágios.
Cada parte da oração da Ave-Maria tem um significado baseado nas Sagradas Escrituras e na Tradição
A Ave-Maria é uma das orações mais queridas do povo católico. É a mais antiga oração que conhecemos dirigida a Nossa Senhora, nossa Mãe, Mãe de Jesus, Mãe da Igreja. Ela está na própria Bíblia, revelação de Deus.
Na Anunciação, o Anjo a saudou: “Ave, cheia de graça”. Maria foi a única que achou graça diante de Deus, porque foi a única “concebida sem o pecado original”. Nas aparições a Santa Catarina Labouré, na França, em 1830, ela pediu que fosse cunhada o que ficou sendo chamada de “Medalha milagrosa”. Em letras de ouro, Catarina viu escrita a bela frase: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!”.
“O Senhor é convosco”, disse-lhe o Arcanjo Gabriel. Maria tem uma intimidade profunda com Deus. Diz o nosso Catecismo que “desde toda eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, ‘uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria’ (Lc 1,26-27)”. Ela é Filha do Pai, é a Mãe do Filho, e é a Esposa do Espírito Santo. Está em plena unidade com a Santíssima Trindade. Numa única mulher Deus tem Mãe, Filha e Esposa.
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Foi assim que Santa Isabel saudou a Virgem, “em alta voz” e “cheia do Espírito Santo”. E o menino João Batista estremeceu em seu seio. Isabel deixou claro por que Maria é “bendita entre todas as mulheres”: “Donde me vem a honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor?” (v.43). E Isabel completa: “Bem-aventurada és tu que creste…” (v.44).
O bendito fruto do seu ventre é o próprio Deus, Filho de Deus, encarnado em seu seio virginal: Jesus. Ela é a Mãe de Deus. Quando o herege Nestório, patriarca de Constantinopla, quis negar essa verdade, o povo se revoltou, e o Concílio de Nicéia, em 431, confirmou a maternidade divina de Maria: (Theotókos). “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48), por isso a piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão.
Depois de saudar a Virgem Maria, Mãe de Deus, com essas palavras que desceram do céu, a oração da Ave-Maria nos leva a implorar as graças do Senhor pela intercessão daquela a quem Deus nada pode negar.
“Santa Maria, Mãe de Deus”. O que não consegue a Mãe do Altíssimo? O que não pode conseguir, diante do trono da graça, aquela que é Sua Mãe, Esposa e Filha? O milagre das Bodas de Caná (João 2) diz tudo, mostra o grande poder intercessor da Mãe diante do Filho. Por isso, a Igreja sempre nos ensinou: “Peça à Mãe que o Filho atende!”. O bom filho nada nega à sua mãe, por isso São Bernardo de Claraval, doutor da Igreja, a chamava de “Onipotência suplicante”. Consegue tudo, por graça, o que Deus pode por natureza.
E nós pecadores lhe imploramos: “Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte”. Consegue do Rei os grandes benefícios aqueles que estão perto d’Ele, aqueles que têm intimidade com Ele. Quem mais do que Maria tem intimidade com Deus? Quantas pessoas me pedem para mediar um pedido junto a monsenhor Jonas Abib, porque sabem que tenho intimidade com ele! O mesmo acontece com Deus. Esse é o poder da intercessão.
A Mãe Santíssima diante do seu Filho roga por nós sem cessar. Disse o Concílio Vaticano II que “assunta aos céus (…), por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (…) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora e medianeira.” (n.969).
“A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (…) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, baseia-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força.” (n.970)
A nossa Mãe roga por nós a cada momento, mesmo que não tenhamos consciência disso; especialmente protege aqueles que lhe são consagrados fervorosamente. De modo especial, defende-nos na hora da morte. Quantas almas a Virgem Maria salva na hora da morte! Especialmente aqueles que lhe são consagrados. São Bernardo dizia que não é possível que se perca um bom filho de Maria. Por isso, pedimos insistentemente que ela rogue por nós, sobretudo na hora decisiva de nossa morte. Quando rezamos o Santo Rosário, a ela oferecemos rosas espirituais que ela leva a Deus por nós. Ela não as retém para si, pois o rosário é a meditação de toda a vida de Jesus Cristo, nosso Senhor.
A presença da Virgem Maria nos ajuda a compreender o papel da mulher na Igreja
Para compreender melhor o papel e a missão da mulher na Igreja, voltemo-nos para a vocação da Santíssima Virgem Maria, a Mãe de Deus. Nossa Senhora está na origem do Cristianismo, porque ela é a Mãe de Cristo, Cabeça da Igreja1. A figura feminina de “Maria oferece à Igreja o espelho em que esta é convidada a descobrir a sua identidade, bem como as disposições do coração, as atitudes e os gestos que Deus dela espera”2. O exemplo singular de “Maria, com as suas disposições de escuta e acolhimento, de humildade, fidelidade, louvor e espera coloca a Igreja na continuidade da história espiritual de Israel”3. Embora essas sejam atitudes que deveriam ser típicas de todo o batizado, na realidade é típico da mulher vivê-las com especial intensidade e naturalidade.
Por suas disposições naturais e mais intensas para a escuta, para o acolhimento, a humildade, a fidelidade, o louvor e a espera, “as mulheres desempenham um papel de máxima importância na vida eclesial, lembrando essas disposições a todos os batizados e contribuindo de maneira ímpar para manifestar o verdadeiro rosto da Igreja, esposa de Cristo e mãe dos crentes”4. Nessa perspectiva, compreendemos que o fato da ordenação sacerdotal ser exclusivamente reservada aos homens5, não impede que as mulheres tenham acesso ao coração da vida cristã. Como a Virgem Maria, as mulheres são chamadas a ser modelos e testemunhas insubstituíveis para todos os cristãos de como a Esposa, que é a Igreja, deve responder com amor ao amor do Esposo, que é Cristo.
A Igreja já está presente na Encarnação do Verbo6, porém ainda não em sua forma institucional, com a sua hierarquia, sua doutrina, suas leis. “Em Maria a Igreja já assumiu a figura corpórea antes de estar organizada em Pedro”7. Como Maria, a Igreja é, desde o princípio, mãe, e tem como missão realizar essa maternidade, ou seja, gerar os filhos de Deus. Por isso, a Igreja é essencialmente feminina, no sentido que é esposa e mãe, por isso deve abrir-se ao Espírito Santo para que aconteça a geração dos filhos de Deus, principalmente nos sacramentos. A Virgem de Nazaré é modelo e figura da Igreja não somente enquanto imagem que se deva contemplar, mas é a sua plena realização. “A essência da Igreja é ‘mariana’”8, por isso, antes de ser instituição organizada, sua primeira missão é ser de Maria.
Esse ser mariano, marcado pelo ser esposa e mãe, revela à mulher a sua importância na Igreja. Maria está na origem da Igreja, é o modelo, desde o início de sua missão, de cooperar no mistério da salvação, que teve início na Anunciação9. Por isso, na constituição eclesial, a Virgem de Nazaré precede todos os outros membros, inclusive o próprio Pedro e os apóstolos. “’O perfil mariano (da Igreja) é anterior ao petrino […] e é mais elevado e proeminente, mais rico em implicações pessoais e comunitárias.’ O princípio mariano é, em vários aspectos, mais fundamental do que o princípio petrino. Isso significa que crer é mais importante que desempenhar um ministério na Igreja”10.
O princípio petrino é vivido pelo Papa e pelo colégio apostólico, com o auxílio dos presbíteros e diáconos, que dóceis à ação do Espírito Santo, permitem que o Protagonista da missão governe a Igreja por meio deles. Por sua vez, o princípio mariano reúne em si os fundamentos que sustentam a santidade da Igreja, pois é sempre uma porta aberta para o Espírito Santo. “O perfil mariano é vivido por todos os fiéis, todos os carismas, todos os profetas, todo o amor que se derrama no mundo, quando se vive a Palavra […], quando se deixa atuar o Espírito que move o coração dos fiéis. Não se trata de dois polos em tensão, de dois aspectos a serem equilibrados ou de duas realidades dialéticas”11. Não são duas realidades opostas, mas são dois rostos concretos que se querem, se servem e se necessitam. São dois rostos que se olham no único olhar de Cristo, que deu a vida por eles, e pelo qual também eles estão dispostos a dar a vida. “O mundo tenta arrancá-los da Igreja para que seja mais uma estrutura de poder, sem Maria; ou para que seja uma corrente de entusiasmo à deriva, sem Pedro”12.
A maternidade e a virgindade, que são garantia da fecundidade eclesial, nos ajudam a compreender que “a Igreja, no seu núcleo perfeito, deve ser designada como feminina”13. Desde o Antigo Testamento, o Povo de Deus está diante de YHWH descrito na pessoa feminina da noiva ou da esposa14. A Igreja da Nova Aliança, na sua relação com Cristo15, está à espera do desponsório, nas núpcias escatológicas entre o Cordeiro e a Esposa adornada para a festa16. “Esta feminilidade da Igreja é a realidade englobante (que diz respeito a toda a Igreja), enquanto o ministério assegurado pelos apóstolos e seus sucessores masculinos é mera função no interior desta realidade englobante. Essa relação devia ser olhada com muito mais atenção quando hoje se desenvolvem discussões sobre uma eventual participação da mulher no ministério sacerdotal. Vistas as coisas mais profundamente, a mulher renunciaria, com uma tal mudança, a um ‘mais’ por um ‘menos’”17.
A Virgem Maria é modelo de vida de missão para todos os cristãos, especialmente para as mulheres e para os chamados à vida consagrada. Nossa Senhora é protótipo, o primeiro modelo que a mulher pode contemplar para encontrar seu lugar e a sua missão na Igreja. A Virgem é também modelo dos movimentos eclesiais e o caminho que conduz ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso. A Mãe de Deus “é aquela que pode fazer com que o Cristianismo supere o risco imperceptível de tornar-se inumano e que a Igreja supere o perigo de se tornar uma função, sem alma”18. Sem este perfil mariano, “o Cristianismo ameaça desumanizar-se inadvertidamente. A Igreja torna-se funcionalística, sem alma, um fábrica febril incapaz de deter-se, perdida em projetos ruidosos”19. Em vista de sua missão, “resgatar a marianidade talvez seja o grande desafio da Igreja do Terceiro Milênio”20 e, nesta tarefa, a mulher tem um papel fundamental.
Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!
Referências: 1. Cf. Ef 1, 22; 5, 23; Cl 1, 18. 2. RATZINGER, Joseph. Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no Mundo, 15. 3. Idem, 16. 4. Idem, 16. 5. Cf. JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Ordinatio sacerdotalis: AAS 86 (1994), 545-548; Congregação para a Doutrina da Fé, Resposta à dúvida sobre a doutrina da Carta apostólica Ordinatio sacerdotalis: AAS 87 (1995), 1114. 6. Cf. Lc 1, 26-38. 7. Francisco das CHAGAS, “O perfil mariano da Igreja”, in Maria no coração da Igreja: múltiplos olhares sobre a Mariologia, São Paulo, 2011, p. 106. 8. Id., ibid. 9. Cf. Lc 1, 26-38. 10. Francisco das CHAGAS, “O perfil mariano da Igreja”, op. cit., p. 111. 11. Id., p. 113. 12. Id., ibid. 13. Joseph RATZINGER; Hans Urs Von BALTHASAR, Maria, Primeira Igreja, Coimbra, 1985, p. 110. 14. Cf. Jr 2, 2; 3, 14; Ez 16, 8-14. 15. Cf. 2 Cor 11, 2. 16. Cf. Ap 19, 7. 17. Joseph RATZINGER; Hans Urs Von BALTHASAR, op. Cit., p. 110. 18. Id., p. 113-114. 19. Id., ibid. 20. Id., p. 116.
O Círio de Nazaré se expressa em diversos sinais externos, todos eles ricos em mensagens, com os quais a Igreja continua a evangelizar.
Nossa cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará recebe peregrinos de tantas partes, começando de nossas casas, para o Círio de Nazaré. Celebramos a grandeza imensa do amor de Deus, refletido na simplicidade desconcertante da Virgem de Nazaré, Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe, escolhida e preparada pelo Pai do Céu. Maria acolheu o chamado que lhe foi feito através da mensagem do Anjo Gabriel (Cf. Lc 1, 26-38) e deu sua resposta, com a qual a história do mundo foi mudada, para ser aventura de salvação e de graça. E todas as gerações a proclamam feliz, bendita, bem-aventurada (Cf. Lc 1, 48). Mais uma vez cumprimos a profecia pronunciada na casa de Isabel e Zacarias, pois é Círio outra vez.
O Círio de Nazaré se expressa em diversos sinais externos, todos eles ricos em mensagens, com os quais a Igreja continua a evangelizar. Um deles, certamente o ícone mais expressivo, é a imagem encontrada pelo Caboclo Plácido. Pequenina e tão imensa, acolhe as multidões que acorrem devotamente à Basílica de Nazaré. Nela ou na imagem peregrina que é conduzida por tantos lugares, nas milhares de visitas evangelizadoras do Círio, há detalhes carregados de sentido. O artista que fez a imagem mostrou a Virgem Maria com o Menino Jesus em seus braços, corpo à vista de todos, criança envolvida pela mão carinhosa de uma mãe. Poucas vestes para que a dignidade do corpo assumido na Encarnação do Verbo ficasse à vista de todos, a fim de que tudo de humano venha a ser reconhecido e valorizado. E ele tem o mundo em suas mãos!
Pequeno o Menino, mas o mundo está em suas mãos! Encantadora desproporção, tão grande que já traz a coroa daquele que é o Rei do Universo, Rei sobre a Cruz e sobre a história do mundo e dos homens. São Paulo põe em nossa boca um magnífico hino, com o qual contemplamos o Menino do colo da Virgem de Nazaré, depois crescido, morto e ressuscitado: “Com alegria, dai graças ao Pai que vos tornou dignos de participar da herança dos santos, na luz. Foi ele que nos livrou do poder das trevas, transferindo-nos para o reino do seu Filho amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois é nele que foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, tronos, dominações, principados, potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e nele todas as coisas têm consistência. Ele é a Cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio, Primogênito dentre os mortos, de sorte que em tudo tem a primazia. Pois Deus quis fazer habitar nele toda a plenitude e, por ele, reconciliar consigo todos os seres, tanto na terra como no céu, estabelecendo a paz, por meio dele, por seu sangue derramado na cruz” (Cl 1, 12-20). O mundo está em suas mãos!
O Menino da Virgem de Nazaré, com o mundo nas mãos, quer evangelizar-nos de novo durante este Círio! A vida pulsa nas mãos de Nossa Senhora. Contemplamos a maravilha da vida pensada por Deus para todos os seus filhos e filhas, de todas as gerações. Sejam expostas com respeito e recato a vida e a dignidade humanas, apelando às consciências para que nenhum sopro de vida seja apagado pelo egoísmo. Que pulsem vibrantes os corações, do ventre das mães e até que naturalmente o ventre da terra acolha todos os que vieram a este mundo, como fruto do amor infinito de Deus, para o qual tudo existe e tem vida. Brilhem com ele os rostos das crianças, seu olhar inquieto e provocante. Acenda-se a esperança com a tocha vibrante dos adolescentes e jovens. As famílias façam palpitar o amor à vida, olhando para a Casa de Nazaré. Os homens e mulheres de mais idade transbordem sabedoria para as outras gerações. E que nenhuma vida seja ceifada pela maldade humana, mas venha a florescer e frutificar até seu ocaso natural.
E Jesus Menino tem o mundo nas mãos! Parece incrível que alguém tão pequeno possa carregá-lo! O mundo é pesado? É que estamos acostumados a ver tudo com normas de pesos e medidas! Falta-nos a poesia para brincar com o mundo, olhando-o como obra prima de Deus. Vendo-o do lado de quem o criou, podemos enxergar o conjunto, sem pretender dividi-lo através dos muitos conflitos que inventamos. Sim, Deus fez o mundo para ser visto com a harmonia do azul com que os viajantes do espaço podem contemplá-lo e que nos permitem ver outras cores. O vermelho do amor ou o dourado da realeza, presentes nas vestes de Nossa Senhora de Nazaré, dizem tudo com simplicidade, atraindo os olhares que foram feitos por Deus para verem a beleza com que pensou todas as coisas. Lá do alto e de dentro das mãos do Menino Jesus o mundo é unido, uma só família, na qual as diferenças são presentes a serem distribuídos generosamente pelas pessoas que se doam no amor mútuo.
Este Menino é Deus verdadeiro. De fato, “no princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do seu Pai como filho único, cheio de graça e de verdade. De sua plenitude todos nós recebemos, graça por graça. Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 1.14.16.18). Olhar com fé para o Menino que tem o mundo nas mãos é buscar de novo o plano de Deus para nossa geração. Deus criou o mundo como Pai que ama infinitamente. Filhos que somos, recebemos graça sobre graça e haveremos de viver segundo a sua vontade. Quer de todos nós irmãos e irmãs verdadeiros, dispostos a mudar esta terra, envolvendo-a com laços e cordas de amor, para construir a felicidade de todos. E o Menino tem o mundo nas mãos!
“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3, 16-17). O Círio nos faça olhar o mundo de forma diferente, com mais otimismo e alegria. Com a graça do Círio, não precisaremos ser contra ninguém, mas a favor do que Deus quer para todos, a paz e a felicidade. E o Menino, com o mundo nas mãos, diz a todos, com um sorriso maroto nos lábios: “Feliz Círio”!
Desde pequeno, Jorge Mario Bergolio, nosso querido Papa Francisco, tem o hábito de rezar o Rosário da Virgem Maria diariamente. O Rosário mariano é, para o Santo Padre, um auxílio para vencer as próprias fragilidades: “isso é o que eu penso sobre a fragilidade; pelo menos é a minha experiência. Uma coisa que me faz forte todos os dias é rezar o Terço a Nossa Senhora. Sinto uma força tão grande, porque vou ter com ela e sinto-me forte”1. O seu costume de rezar o Rosário todos os dias está ligado com as experiências em família com a Virgem Maria. Desde a sua infância, viveu esta devoção mariana, que permanece até os dias de hoje: “sou do Rosário diário”2, testemunha o Sumo Pontífice.
Desde a mais tenra idade, Jorge Bergolio aprendeu a rezar o Rosário, como parte de sua herança familiar italiana, ainda sem os mistérios luminosos, acrescentados em 2002 pelo Papa João Paulo II. Durante muito tempo rezou o Rosário completo todos os dias, até a sua ida para o Vaticano, quando teve que mudar sua prática de devoção a Maria: “Até que vim para cá praticamente rezava as ‘três’ coroas”3, ou seja, os três Terços. Desde que foi para Roma, Francisco confessa que não tem conseguido rezar o Rosário completo: “Aqui já não. Costumo rezar só uma ‘coroa’. De mais que isso não consigo dar conta, pela falta de tempo e tudo mais. Mas sempre, todos os dias, rezo o Terço e o recomendo às pessoas”4. Ele justifica sua prática de devoção mariana de forma muito simples: “o Rosário me faz bem!”5.
O Santo Padre explica que, em nossa luta contra o mal, nunca estamos sozinhos: “Maria não nos deixa sozinhos; a Mãe de Cristo e da Igreja está sempre conosco. Sempre, caminha conosco, está conosco”6. Como a Igreja é militante na Terra e, ao mesmo tempo, triunfante no Céu, também a Virgem Maria, em certo sentido, partilha esta dupla condição. A Mãe de Deus entrou, de uma vez por todas, na glória do Céu, entretanto, isto não significa que ela esteja distante, separada de nós. Ao contrário, “Maria nos acompanha, luta conosco, apoia os cristãos no combate contra as forças do mal. A oração com Maria, em particular o Rosário – mas ouçam bem: o Rosário. Vocês rezam o Rosário todos os dias? Mas não sei… (os presentes gritam: Sim!). É mesmo? Então, a oração com Maria, em particular o Rosário tem também esta dimensão ‘agonística’, isso é, de luta, uma oração que apoia na batalha contra o Maligno e os seus cúmplices”7.
Ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “O Santo Rosário”:
A prática de oração diária do Rosário mariano na vida de Bergolio está intimamente ligada à devoção que sua família nutria por Nossa Senhora Auxiliadora. “A Virgem Maria era em casa uma referência”, conta o Papa Francisco. Ele recorda saudosamente que, com sua família, participava das procissões de Maria Auxiliadora, que acontecem em 24 de Maio. Tal devoção a Virgem Auxiliadora dos cristãos está associada à proximidade da família com os salesianos de Dom Bosco: “Não é raro que eu fale com carinho dos salesianos, pois minha família se alimentou espiritualmente dos salesianos de São Carlos. Ainda pequeno, aprendi e ir à procissão de Maria Auxiliadora. […] Tinham nos ensinado a pedir a ‘bênção de Maria Auxiliadora’ cada vez que nos despedíamos de um salesiano”8.
Assim, o Papa Francisco experimentou e eficácia do Rosário de Nossa Senhora na sua batalha espiritual contra o Maligno. Ele também testemunhou o quanto o Terço foi um auxílio eficaz para vencer as suas próprias fraquezas. Pois, o Rosário da Virgem Maria nos fortalece na luta contra o Demônio, contra o pecado e contra o espírito do mundo. Com sua vida, o Santo Padre nos ensina a valorizar a oração do Rosário especialmente em família e a devoção a Nossa Senhora. Pois, é a Santíssima Virgem “quem nos leva ao Senhor; é a Mãe, é aquela que sabe tudo”9. Confiantes em nossa Mãe, entreguemos tudo em suas mãos, recorramos sempre a ela, principalmente através do Terço mariano. Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!
“O anjo do Senhor acampa ao redor dos que o temem e os salva” (Sl 33,8).
O Catecismo da Igreja diz que “a existência dos seres espirituais, não-corporais, os anjos, é uma verdade de fé”. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição (n.328). Nenhum católico pode, então, negar a existência dos anjos. Eles são criaturas pessoais e imortais, puramente espirituais, dotados de inteligência e de vontade e superam em perfeição todas as criaturas visíveis (cf. Cat. n.330). São Gregório Magno disse que quase todas as páginas da Revelação escrita falam dos anjos.
A Igreja ensina que, desde o início até a morte, a vida humana é cercada pela proteção (Sl 90,10-13) e pela intercessão dos anjos. “O anjo do Senhor acampa ao redor dos que o temem e os salva” (Sl 33,8).
São Basílio Magno (†369), doutor da Igreja, disse: “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida” (Ad. Eunomium 3,1). Isto é, temos um Anjo da Guarda pessoal. Jesus disse: “Não desprezeis nenhum desses pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus veem continuamente a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10).
A liturgia de 2 de outubro celebra os Anjos da Guarda desde o século XVI, festa universalizada por Paulo V. Ora, se a Igreja celebra a festa dos Anjos da Guarda é porque, de fato, eles existem e cuidam de nós, nos protegem, iluminam, governam nossa vida, ajudam-nos como ajudou Tobias. Mas para isso é preciso crer neles, respeitá-los, não afugentá-los pelo pecado. Um dia, um rapaz me disse: “Eu não vejo pornografia na internet, porque tenho vergonha de meu Anjo da Guarda!”. A melhor homenagem a nosso anjo é viver uma vida sem pecados, buscando, com a ajuda dele, fazer a vontade de Deus.
A Tradição da Igreja acredita que nosso Anjo da Guarda tem a tarefa de oferecer ao Senhor as nossas orações, apoiar-nos e proteger-nos dos ataques do diabo, que tenta nos fazer pecar e perder a vida eterna. Então, nada mais importante do que ter uma vida de intimidade com nosso anjo, invocando-o constantemente e colocando-nos debaixo de sua proteção. Desde criança, aprendi com minha mãe esta oração: “Santo anjo da minha guarda, a quem eu fui confiado por celestial piedade, iluminai-me, guardai-me, regei-me, governai-me. Amém.” Nunca deixei de rezar essa oração.
Então, o melhor a fazer é não fazer nada sem pedir a luz, a proteção, o governo do bom anjo que o Senhor colocou como guarda e custódio de nossa vida, do batismo até a morte. É por isso que muitos Papas, como João XXIII, revelaram a sua profunda devoção pelo Anjo da Guarda, sugerindo, como também disse Bento XVI, que expressemos nossa gratidão pelo serviço que ele presta a cada um de nós e o invoquemos todos os dias com o Angelus Dei.
O Santo Padre Pio teve um relacionamento profundo com o Anjo da Guarda. São inúmeras as passagens da vida desse santo com seu anjo e com o anjo dos outros. Certa vez, ele disse a uma pessoa: “Nós rezaremos pela sua mãe, para que o seu anjo da guarda lhe faça companhia”. Invoque o seu Anjo da Guarda, pois ele o iluminará e o guiará no caminho de Deus.
Alguns perguntam se é possível saber o nome do nosso Anjo da Guarda. A Igreja não fala sobre isso, ela apenas conhece o nome dos três grandes Arcanjos: Miguel, Rafael e Gabriel. Portanto, se alguém sabe o nome do seu anjo é uma revelação particular que não tem a confirmação da Igreja.
O mais importante é termos um relacionamento vivo e fervoroso com o nosso bom anjo protetor durante toda a vida.
Quando São Domingos estava pregando o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense que estava possesso pelo demônio, parece que mais de doze mil pessoas tinham vindo ouvi-lo pregar.
Os demônios que possuíam esse infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento. Eles disseram que:
1 – Havia quinze mil deles no corpo desse pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário;
2 – Eles continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário ele impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que eles mais odiavam em todo o Mundo, isto por causa das almas que ele arrancou dos demônios através da devoção do Santo Rosário;
Eles então revelaram várias outras coisas.
São Domingos colocou o seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demônios lhe dissessem quem de todos os santos nos Céus eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto mais amado e reverenciado pelos homens.
O Terço de Fátima é o terror dos demônios; quem o reza todos os dias estará sempre amparado. Clique na imagem e saiba como receber um lindo Terço de Fátima de Cristal legítimo
Nesse momento eles soltaram um gemido inexprimível no qual a maioria das pessoas caiu por terra desmaiando de medo… e eles disseram:
” Domingos, nós te imploramos, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de sua Mãe e de todos os santos, deixe-nos sair desse corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão sua pergunta a qualquer momento…
São Domingos ajoelhou-se e rezou à Nossa Senhora para que ela forçasse os inimigos a proclamarem a verdade completa e nada mais que a verdade.
Mal tinha terminado de rezar viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos.
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Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava e disse:
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“Responda ao meu servo Domingos imediatamente”.
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Então os demônios começaram a gritar:
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“Oh, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruína e nossa destruição, porque desceste do Céus só para nos torturar tão cruelmente?
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Oh, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para o Céus, devemos nós, para o nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa de nossa vergonha e nossa ruína?
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Oh, pobres de nós, príncipes da escuridão: então, ouçam bem, vocês cristãos:
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…a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa e ela pode salvar seus servos de caírem no Inferno. Ela é o Sol que destrói a escuridão de nossa astúcia e sutileza. É ela que descobre nossos planos ocultos, quebra nossas armadilhas e faz com que nossas tentações fiquem inúteis e sem efeito.
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Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada conosco; um simples suspiro que ela oferece à Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.
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Nós a tememos mais que todos os santos nos Céus juntos e não temos nenhum sucesso com seus fiéis servos.
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Muitos cristãos que a invocam quando estão na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com os nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão.
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Oh, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria como eles a chamaram) não tivesse se oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a igreja e a teríamos destruído há muito tempo atrás; e teríamos feito que todas as Ordens da Igreja caíssem no erro e na desordem.
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Agora, que somos forçados a falar, também lhe diremos isto:
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“Ninguém que persevera ao rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para seus servos a graça da verdadeira contrição por seus pecados e por meio dele, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus”
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Livro O Segredo do Rosário – São Luís Maria G. de Montfort – páginas.95 à 97.