terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Imaculada Conceição e a superabundância da graça



A superabundância da graça realizou-se plenamente na Imaculada Conceição da Virgem Maria.


Imaculada Conceição

As palavras de São Paulo na carta aos Romanos: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”1, dizem respeito especialmente ao mistério da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. Nesse sublime mistério, contemplamos os mais excelentes frutos da divina misericórdia numa criatura humana. Se no princípio da criação, no coração de uma mulher – a virgem Eva – o pecado abundou2; na plenitude dos tempos, no coração de outra mulher – a Virgem Maria – superabundou a graça divina3. A graça que a humanidade recebeu por Maria é muito mais abundante do que o mal causado pelo pecado dos nossos primeiros pais. Em Nossa Senhora, mais do que em qualquer outra criatura, a graça triunfa sobre o pecado4 e a morte.

Na Imaculada Conceição de Maria, a redenção de Jesus Cristo manifesta a sua força salvífica preveniente, por antecipação, e permanente5. A concepção imaculada da Mãe de Deus é a maior vitória do mistério pascal de Cristo, “o fruto mais excelente do germe de vida eterna que Deus […] lançou no coração da humanidade, necessitada de salvação depois do pecado de Adão”6. A Virgem Maria experimentou o mistério da redenção de modo especialíssimo, o que manifesta a singular a generosidade de Deus com a humanidade, com cada um de nós. O Filho de Deus foi especialmente generoso com sua Mãe Santíssima. Jesus Cristo remiu a Virgem Maria antecipadamente, de modo particularmente superabundante, da mancha do pecado original. Em Jesus, a Redenção é abundante7 e a generosidade do Filho para com sua Mãe manifesta-se desde o princípio da sua existência no milagre da Imaculada Conceição8. Em consequência, o dogma da Imaculada Conceição de Maria não obscurece, ao contrário, contribui admiravelmente para ressaltar os extraordinários efeitos da graça redentora de Cristo na natureza humana9.

A redenção realizada por Cristo não significa apenas libertação, ou preservação, do pecado, que é a graça salvífica, mas também a semente da santidade, da graça santificante, plantada pelo Redentor em nossos corações10. A Virgem de Nazaré foi preservada da herança do pecado original em virtude da plenitude da graça recebida de Jesus e pelos méritos do seu Filho no mistério da redenção. Maria pertence a Cristo desde o primeiro instante da sua concepção imaculada, participa da graça salvífica e santificante e daquele amor que tem o seu início no mistério da Encarnação. “O fruto maduro da redenção é a santidade”11, que se manifestou extraordinariamente na Imaculada. Em Nossa Senhora, o efeito da Redenção manifestou-se na sua pureza total e na florescência maravilhosa da sua santidade. Dessa forma, a Imaculada Conceição de Maria é a primeira maravilha da redenção realizada pelo seu Filho12, que diz respeito a toda a humanidade. A superabundante graça na Mãe de Deus desde a sua concepção imaculada faz dela dispensadora privilegiada dos efeitos do mistério da redenção.

A história da Igreja comprova que a Virgem Maria é um veículo excelente e único da redenção de Cristo. A Mãe de Deus é um canal privilegiadíssimo da graça divina, uma via de eleição pela qual a graça chega a nós com abundância extraordinária e maravilhosa. Onde Nossa Senhora é invocada, a graça é abundante, acontece a cura em nosso corpo e em nosso espírito13. A este respeito, nos vêm ao pensamento os grandes santuários marianos: Lourdes, na França; Fátima, em Portugal; Guadalupe, no México; Aparecida, no Brasil. Nestes e em muitos outros, a Virgem Maria manifesta-se como canal excelente e privilegiadíssimo da graça de Deus. Nestes santuários dedicados a Santíssima Virgem, milhares de peregrinos experimentam a superabundância da graça divina nos numerosíssimos milagres, curas, conversões, sinais e prodígios. Tais prodígios manifestam a maravilhosa eficácia da intercessão de Maria, Medianeira de Todas as Graças.

Assim, se vivermos em intimidade com Nossa Senhora, encontraremos “no mistério da sua Imaculada Conceição uma inexaurível fonte de conversão, amadurecimento e santificação”14. Isto significa que a Virgem Maria não é somente modelo de perfeição, de santidade, mas também é fonte superabundante da graça salvífica e santificante. Temos na Mãe da Igreja o auxílio necessário da graça para alcançar a santidade e a salvação, que nos foi dada em seu Filho Jesus Cristo. Por isso, invoquemos com confiança a Virgem Maria, para obtermos dela a superabundância da graça, que se manifestou primeiramente na sua concepção imaculada.

Oração do Papa João Paulo II a Imaculada Conceição:

Nós nos dirigimos a Vós, Virgem Santa Imaculada.

Em Vós tem início o mistério da Redenção que nos livra da morte,

porque a herança do pecado não Vos atingiu.

Vós sois cheia de graça, e em Vós abre-se para nós o Reino de Deus,

o novo futuro do homem, que pode, na fé, contemplar em Vós a obra da sua renovação

e o fundamento da sua esperança de imortalidade.

Trazei a nós, na vossa pureza, o Filho de Deus, a “luz que veio ao mundo”,

e conduzi todos nós pelos caminhos de santidade,

para que possamos encontrar Cristo, agora e para sempre. Amém15.




Fonte: FIDELIS STÖCKL. O mistério da Imaculada Conceição no Pensamento de Papa João Paulo II.

Referências:


1 Rm 5, 20.


2 Cf. Gn 3, 16.


3 Cf. Lc 1, 26.


4 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Homilia de 8 de dezembro de 1987.


5 Cf. idem, Angelus de 8 de dezembro de 1993.


6 Idem, Regina Coeli de 17 de abril de 1983.


7 Cf. Sl 129, 7.


8 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Angelus de 8 de dezembro de 1978.


9 Idem. Audiência de 5 de junho de 1996.


10 Cf. idem. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 10.


11 Idem, ibidem.


12 Cf. idem. Audiência de 7 de dezembro de 1983.


13 Cf. idem. Angelus de 19 de julho de 1987.


14 Idem. Alocução às Irmãs Servas de Maria Imaculada em 6 de julho de 1999.


15 Idem, Homilia de 2 de novembro de 1986.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria, segundo o Tratado de São Luís Maria, descobriu um caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina esta devoção, o caminho "a Jesus por Maria", que é o seu maior apostolado.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Reflexão para a Solenidade da Imaculada

2014-12-08 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV)

A primeira leitura da liturgia de hoje, Gênesis 3, versículos de 9 a 15 é o chamado proto-evangelho porque nos fala, ainda que de um modo remoto e impreciso, da salvação, da atuação do Messias.
Deus oferece ao homem sua amizade, mas ele prefere escutar a serpente, prefere dar vasão ao desejo de autossuficiência. Com essa atitude de se colocar como centro, o homem prejudica seu relacionamento com as demais pessoas, com a natureza e com Deus.

Como a rejeição a Deus é automaticamente rejeição à Vida e à felicidade sem fim, o homem atraiu sobre si e sobre a natureza a maldição, abrindo as portas ao sofrimento e à morte.

Contudo Deus é Pai, é Vida e não pode permitir o triunfo da morte, a danação de suas criaturas, especialmente do homem, criado à sua imagem e semelhança. Exatamente no momento da rejeição do símbolo da autossuficiência, Deus anuncia a vitória da descendência humana sobre o pecado, é a vitória de Cristo em sua Paixão, quando se descentraliza para estar totalmente voltado para o Pai, para a Vida, não fazendo a sua vontade, mas a de Seu Pai.

Adão e Eva estão nús, isto é, estão sem a proteção de Deus, colocando suas esperanças apenas em sua autossuficiência. Maria é saudada pelo anjo como a cheia de graça e a plena de Deus, de Vida. Ela se descentralizou ao dizer que era a Serva do Senhor e permitindo que se fizesse nela a palavra do anjo.

Por um privilégio concedido por Deus, Maria foi a única exceção humana a não dar sua adesão ao pecado. Ela foi a obra-prima da graça de Deus, perfeita em sua adesão livre à missão dada pelo Pai e geradora não apenas do Messias, mas origem da própria Igreja. O prefácio da missa a chama de “primícias da Igreja”.

Celebrando sua Imaculada Conceição, celebramos sua total pertença a Deus.

A segunda leitura, extraída da Carta de São Paulo aos Efésios, fala do projeto de Deus a nosso respeito, de nossa vocação, de nossa destinação. Do mesmo modo que Maria, fomos redimidos pelo sangue de Jesus e destinados à felicidade sem fim.

Cada um de nós é criado por Deus para ter uma missão neste mundo, missão unida à Cristo, como foi a de Maria. Ela, concebida sem o pecado das origens, foi toda um sim ao Pai e, por isso, gerou o Filho, plena do Espírito Santo. Também nós, redimidos por Jesus Cristo, poderemos colaborar com o Pai em seu projeto grandioso para com cada ser humano, permitindo que o Espírito Santo conduza nossa vida. Não é para um projeto próprio, fadado ao insucesso, que fomos convocados, mas a um projeto feito por Deus, onde a fraternidade e a obediência ao Amor são as leis máximas.


(Padre Cesar Augusto dos Santos, sj)
(from Vatican Radio)

domingo, 7 de dezembro de 2014

Você é uma bolha de sabão?

O encanto frágil nos traz a desilusão de uma realidade que não existe no mundo real de nossas experiências humanas

Belas e encantadoras são as bolhas de sabão. Elas fascinam pela beleza multicolorida em contato com o sol, mas essa beleza não dura mais que alguns segundos. Um piscar de olhos e elas já não existem mais. Encerram seu ciclo tão rápido quanto surgiram, vão-se como chegaram, não têm história para contar.



Vivemos em tempos de bolhas de sabão. Somos seduzidos pelas aparências e nos deixamos levar pela beleza transitória de algo que não dura mais que alguns momentos. Muitas vezes, nos perdemos correndo em busca do vazio contido dentro de uma bolha de sabão que nos promete a felicidade rápida. Iludidos pelas aparências, nos perdemos de nós mesmos e também de Deus. Iludidos pelas lindas bolhas de sabão que surgem em nosso caminho, corremos o risco de cair e tropeçar nas pedras ao longo da jornada.

Quando olhamos para a beleza efêmera das aparências, ficamos fixados naquilo que nos encanta, mas que não produz em nosso coração sabedoria. O encanto frágil nos traz a desilusão de uma realidade que não existe no mundo real de nossas experiências humanas.

Quando a bolha estoura, nada mais nos resta do que olharmos para a vida e nela buscarmos a beleza autêntica do cotidiano, com todas as suas dores e alegrias, que não são levadas pelo vento.

Muitos têm se tornado bolhas de sabão: vivem alimentando na alma uma existência despovoada de sentido, perderam-se dos valores que poderiam lhes proporcionar a autêntica felicidade. Criaram para si um mundo de bolhas de sabão, acreditaram naquilo que as impede de contemplar o amor real e concreto da vida. Alimentam a alma de espaços que nunca poderão ser preenchidos sem uma genuína experiência do amor de Deus.

Quando aqueles que viviam imersos em fantasias ilusórias acerca de Deus procuravam Jesus, tentando justificar suas fantasias, Ele mostrava com amor e paciência que aquelas ilusões não poderiam durar mais que um olhar de amor eterno. O carinho de Cristo imprimia em cada alma a realidade de uma existência pautada no amor incondicional de Deus por Seus filhos amados. Um amor real desfaz as ilusões da alma.

É preciso viver com os pés no chão e olhar para a transcendência do presente com admiração; assim, fazer do hoje a mais atraente experiência da ternura de Deus. Correr atrás daquilo que é superficial apenas aumenta no coração a lacuna de um amor construído em aparências ilusórias.

As bolhas de sabão são lindas, mas quando vistas apenas como uma brincadeira de criança. Não busquemos na vida concreta bolhas de sabão para nossas carências e vazios interiores.Busquemos a beleza de sermos amados por Deus e nos deixarmos amar por Ele.

Padre Flávio Sobreiro

Padre Flávio Sobreiro Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP. Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre - MG. Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Carmo (Cambuí-MG). Padre da Arquidiocese de Pouso Alegre - MG. Página pessoal: http://www.padreflaviosobreiro.com Facebook:http://www.facebook.com/flaviosobreiro

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A “teologia do corpo” de S. João Paulo II – o testemunho do casal Sofia e Pedro

2014-12-04 Rádio Vaticana
Dos muitos contributos que S. João Paulo II deixou à Igreja e à humanidade está seguramente a sua “ teologia do corpo” que permitiu redescobrir um olhar contemplativo do corpo através do imenso tesouro da antropologia bíblica e da tradição da Igreja. Um livro recentemente publicado com o título “Criados para o Amor” da autoria de Carl Anderson e José Granados recolhe as catequeses do Papa João Paulo II entre 1979 e 1984 sobre este tema esclarecendo os seus fundamentos antropológicos com uma linguagem simples e acessível. Nesta edição de “Sal da Terra, Luz do Mundo apresentamos o testemunho de um casal sobre a teologia do corpo.
Segundo o livro “Criados para o Amor” a teologia do corpo proposta por S. João Paulo II apresenta o “profetismo do corpo” afirmando que “o corpo fala de Deus revela a sua bondade e a sua sabedoria”. Os autores Carl Anderson e José Granados, professores  da secção dos Estados Unidos do Instituto Pontifício João Paulo II para o Estudo do Matrimónio e da Família, afirmam neste livro que o Papa João Paulo II nas suas catequeses de 1979 a1984 sublinha a “vocação para amar” do homem e da mulher.
Nessas catequeses que este livro recolhe podemos compreender que através do corpo Deus revela-nos “o caminho a percorrer no sentido da realização da humanidade: o caminho do amor, no qual a imagem original impressa no homem e na mulher se pode realizar e resplandecer numa fértil comunhão de pessoas abertas à vida”.
Muitos são os casais e famílias que encontram inspiração na teologia do corpo para viver o mistério de Deus nas suas vidas. Nas Jornadas Nacionais da Família em Portugal em setembro deste ano de 2014, encontramos em Fátima o casal Sofia e Pedro que apresentaram para a Rádio Vaticano o seu testemunho de vida. Este casal da diocese de Setúbal começou por nos contar o início da sua história revelado num amor à primeira vista. O olhar e o sorriso foram a primeira formulação de um amor que despontava.
5 anos de namoro, 12 anos de matrimónio e 3 filhos: o Tiago, o André e o Tomás. Uma história de amor para contar. Uma relação alicerçada num compromisso para o futuro.
A Sofia e o Pedro descobriram a teologia do corpo como um método de conhecimento para o amor. O corpo como manifestação de Deus e caminho para a conversão. O amor conjugal como dom de Deus.
“Sal da Terra, Luz do Mundo” é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa. (RS)

(from Vatican Radio)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Será que o único pecado no Natal é o consumismo?


Li um comentário num folheto da missa de domingo (04/12/2011), segundo do Advento, quando a liturgia da Palavra coloca a preparação de João Batista para a chegada do Salvador. O Precursor vem pedir a conversão do coração; deixar o pecado.

Neste comentário o autor falou apenas do pecado do CONSUMISMO. É certo que é um grave pecado, mas está longe, muito longe, de ser o único que João veio denunciar e combater. Ele denunciou os pecados das prostitutas, dos soldados, dos fariseus e doutores da lei… Os Apóstolos do Senhor, e o próprio Jesus, colocaram imensas listas de pecados; penso que seja importante recordar algumas delas:

“Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt 15,19).

“Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus”. (1 Cor 6,9-10).

“Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gl 5,21).

“Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia”. (Ef 4,30-31).

“Nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!” (2Tm 3, 1-5).

“Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes”. (Cl 3,5-6).

“Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias”. (1Pe 4,3)

“São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia.” (Rm 1, 29-31)

“Porque também nós outrora éramos insensatos, rebeldes, transviados, escravos de paixões de toda espécie, vivendo na malícia e na inveja, detestáveis, odiando-nos uns aos outros”. (Tt 3,3).

“Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte”. (Ap 21,8).

Será que não há mais esses pecados no meio do povo?

Por que no Natal escutamos apenas a mesma cantilena do consumismo? Será que esta “evangelização” não está esvaziada daquilo que Jesus e os Apóstolos pregavam? Será que a sociologia e a ideologia não estão esvaziando o Evangelho? Será que assim o povo não vai continuar buscando as seitas e as comunidades protestantes para se saciar de Deus?
Fonte Prof. Felipe Aquino - Canção Nova

Apelo de Advento: a Sagrada Família é nossa família

2014-12-03 Rádio Vaticana
Roma (RV)
O Presidente da Cáritas Internacional, Card. Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, divulgou sua mensagem por ocasião do Advento.
O seu apelo é em prol dos refugiados que, como a Sagrada Família – “vivem hoje na confusa espiral do exílio”. De modo especial, o Cardeal cita a situação de milhares de famílias que fogem dos conflitos no Iraque, na Síria, no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo.
“A Cáritas chega às famílias que perderam tudo: lar, meio de subsistência e pertences. Em todo o mundo, distribui alimentos depois de uma tragédia, e logo trabalha, com as pessoas, para ajudá-las a ajudarem a si mesmas”, lê-se no texto.
A propósito, o Cardeal recorda que está em andamento a campanha mundial “Uma família humana. Pão e justiça para todas as pessoas”, cuja finalidade principal é garantir que os pais possam alimentar seus filhos. Entre os programas especiais da campanha de combate à fome, o Presidente da Caritas Internacional cita o projeto de sementes, no Brasil, de capacitação agrícola.  
“A Sagrada Família é nossa família. Assim como você teria ajudado essa família assustada, há mais de 2000 mil anos, está intencionado a ajudar as famílias necessitadas de hoje,através do seu apoio a Caritas. ‘Uma só família humana’ já é realidade, façamos que ‘alimentos para todos também o seja”, assim conclui seu apelo de Advento o Presidente de Cáritas Internacional.
(BF)
(from Vatican Radio)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

2015 será o Ano da Paz

Até a celebração do Natal em 2015, vamos vivenciar o Ano da Paz
A Igreja Católica decidiu, durante a Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), promover um Ano da Paz. Essa decisão importante fundamenta-se na urgência de unir esforços para transformar a realidade e lutar, incansavelmente, na promoção da paz, que é um dom de Deus, entregue aos homens e mulheres de boa vontade pelo Príncipe da Paz, Jesus Cristo, Salvador e Redentor.
Paz
Ao investir na promoção do Ano da Paz, a Igreja, a partir de sua tarefa missionária de anunciar Jesus Cristo e seu Reino, empenha-se e busca sensibilizar outros segmentos da sociedade para enfrentar a violência, que atinge de modo arrasador a vida, a dignidade humana e as culturas. Uma fonte de sofrimento que ameaça o futuro da humanidade, com graves consequências para diferentes povos e sociedades. Ao promover o Ano da Paz, a CNBB aciona a grande rede de comunidades de fé que forma a Igreja no Brasil para que, em parceria com outras instituições, seja cultivada uma consciência cidadã indispensável na construção de uma sociedade sem violência. Para isso, conforme ensina Jesus no Sermão da Montanha, é necessária a vivência de uma espiritualidade que capacite melhor os filhos de Deus, tornando-os construtores e promotores da paz.
Trata-se de um percurso longo a ser trilhado, uma dinâmica complexa a ser vivida, para que o coração humano torne-se coração da paz. O Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, sublinha que, enquanto não se eliminarem a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos, será impossível erradicar a violência que, venenosamente, consome vidas, mata sonhos e atrasa avanços.
A vivência do Ano da Paz é uma tarefa que deve ser assumida pelos homens e mulheres de boa vontade, empenhados no trabalho de contribuir para que cada pessoa se reconheça como um coração da paz. Esse serviço deve ser vivido de modo criativo, sem enrijecimentos ou complicações, valendo-se de estruturas, instituições, especialmente as educativas e os meios de comunicação. No exercício dessa tarefa, é preciso cultivar uma espiritualidade que determina rumos. Ao mesmo tempo, torna-se imprescindível exercitar a intrínseca dimensão política de nossa cidadania, lutar pelo estabelecimento de dinâmicas e processos que ajudem a avançar na erradicação dessa assombrosa e crescente onda de violência que se abate sobre nossa sociedade, provocada, de certo modo, pela mesquinhez que caracteriza o mundo atual.
A vivência do Ano da Paz, ainda que sem impactantes eventos, é a esperança de que as ações simples e cotidianas, de cada pessoa, podem provocar grandes mudanças, especialmente as culturais, que contribuem para a manutenção da violência. No Brasil, por exemplo, as estatísticas mostram que, anualmente, o número de homicídios é equivalente ao de guerras pelo mundo afora. Não se pode abrir mão de análises profundas com força sensibilizadora, capaz de despertar certa indignação sagrada e cidadã. Também são importantes os debates em congressos, seminários e outras modalidades, aproveitando oportunidades variadas para se falar do tema da violência e suas consequências, que acabam com tudo – inclusive com a possibilidade de se partilhar ocasiões festivas.
A ausência da paz inviabiliza, por exemplo, que os diferentes partilhem momentos de festa nos estádios de futebol, de modo saudável, alegre e fraterno. Infelizmente, prevalecem situações de selvageria nos estádios e nas ruas. A violência se faz presente também no ambiente das empresas, escritórios e, abominavelmente, no sacrossanto território da família, pela agressividade contra as mulheres. A ausência da paz nos lares, o desrespeito às mulheres, impede que crianças e jovens desfrutem do direito insubstituível de ter uma família, escola do amor e humanização.
Que o Ano da Paz comece sempre pelo exercício eficaz de se silenciar, em comunhão com os membros da própria família, nos escritórios, salas de aulas, nas igrejas, nas reuniões e em outros grupos. Um minuto de silêncio pode fazer diferença no cultivo da paz no próprio coração, tornando-o um coração da paz. Nesse caminho, cada pessoa se qualifica para atuações mais comprometidas na mudança de cenários, valorizando os pequenos gestos e as pequenas mudanças na construção da grande e urgente transformação cultural, um “passo a passo” para vencer a violência. Do tempo do Advento – preparação para o Natal deste ano – até a celebração do Natal em 2015, vamos vivenciar o Ano da Paz, oportunidade para cultivar uma densidade interior. Essa experiência permitirá a todos, no dia a dia, em diferentes oportunidades, com gestos e ações, contribuir para o novo advento, a paz entre nós.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico (Roma, Itália). http://www.arquidiocesebh.org.br