quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Encontramos Jesus na oração da Ave-Maria

O Rosário é um método simples para contemplar o rosto de Jesus com Maria
Contemplar o rosto de Jesus Cristo com a Virgem Maria é, antes de mais nada, recordar os mistérios do Filho, o Verbo de Deus humanado. Essa recordação deve ser entendida no sentido bíblico de memória, do hebraico zikaron, que atualiza as obras realizadas por Deus na história da salvação.
Fazer memória das obras do Senhor era comum na religião do povo de Israel, ao qual Nossa Senhora pertencia. Por isso, os mistérios de Cristo que lhe eram apresentados em termos quase incompreensíveis, “Maria os conservava, meditando-os no seu coração”1. Dessa forma, a Santíssima Virgem foi a primeira a fazer memória, a meditar profundamente os mistérios do Filho de Deus feito Homem, tornando-se para nós Mestra por excelência na contemplação do rosto de Cristo e de Seus santos e divinos mistérios.
Contemplar o rosto de Cristo como Maria - 940x500
A Bíblia, toda ela intimamente ligada à religião judaica, é a narração dos acontecimentos salvíficos, que culminam no memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Esses mistérios não constituem somente um “ontem”, não são apenas recordações de fatos do passado, mas se atualizam no “hoje” da salvação. Essa atualização se realiza de modo privilegiado na Liturgia da Santa Missa. O que Deus realizou, há quase dois mil anos, alcançou não somente as testemunhas diretas dos mistérios de Cristo, mas também, pelo dom da graça, os homens e mulheres de todos os tempos. Todavia, essa atualização não se limita à liturgia, mas acontece nas devoções que têm ligação com esses mistérios. “Fazer memória deles, em atitude de fé e de amor, significa abrir-se à graça que Cristo nos obteve com os seus mistérios de vida, morte e ressurreição”2.
A atualização, o memorial dos mistérios de Jesus Cristo têm, no terço mariano, sua expressão popular mais profunda. Desde tempos imemoriais, rezou-se e tornou-se cada vez mais conhecida e valorizada essa oração tão querida pelo povo de Deus. Sua grande popularidade se deve, principalmente, ao fato de o Rosário ser um método simples para contemplar o rosto de Jesus com Maria. Como método de oração, ele deve ser utilizado para seu verdadeiro fim, ou seja, a contemplação de Cristo, e não como fim em si mesmo. Considerando que o Rosário é fruto da experiência de devoção dos cristãos, há séculos, esse método não deve ser subestimado, pois estão a seu favor a experiência de inumeráveis santos, como São Domingos de Gusmão, São Luís Maria Grignion de Montfort, São Pio de Pietrelcina e São João Paulo II, que praticaram e ensinaram essa piedosa devoção com abundantes frutos espirituais.
A Ave-Maria é o elemento mais encorpado do Rosário, que faz dele uma oração mariana por excelência. Entretanto, o carácter mariano da Ave-Maria não se opõe ao cristológico, mas até o sublinha e exalta. A primeira parte da Ave-Maria, tirada das palavras dirigidas a Maria pelo Anjo Gabriel e por Isabel3, é a contemplação adoradora do mistério de Cristo, que se realiza na Virgem de Nazaré. Essas palavras exprimem a admiração do Céu e da Terra, e transparecem o encanto do próprio Deus ao contemplar a Sua obra-prima – a encarnação do Filho no ventre virginal de Maria –, que nos remete ao olhar contemplativo do Criador4, daquele primordial “pathos com que Deus, na aurora da criação, contemplou a obra das suas mãos”5. “A repetição da Ave-Maria no Rosário sintoniza-nos com esse encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do maior milagre da história”6. A recitação dessa oração é também o cumprimento da profecia de Maria: “ Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada”7.
O “centro de gravidade” da Ave-Maria, uma espécie de “dobradiça” entre a primeira e a segunda parte dessa oração, é o nome de Jesus. Numa recitação precipitada e desatenta, perdemos esse centro e também a ligação com o mistério de Cristo que contemplamos. Dessa forma, deixamos de colher preciosos frutos, pois “é pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao Seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário”8. Nesse sentido, em algumas regiões costuma-se realçar o nome de Cristo, acrescentando, logo depois, uma passagem bíblica que recorda o mistério meditado9. Esse costume é muito louvável, especialmente na recitação pública do Rosário, e exprime, de forma intensa, a fé em Jesus Cristo, aplicada aos diversos momentos da Sua vida. Repetir o nome de Jesus, o único nome do qual se pode esperar a salvação10, juntamente com o nome de Maria, deixando que seja a Mãe a nos levar para o Filho, é um caminho de assimilação que nos faz penetrar cada vez mais profundamente na vida de Cristo. “Dessa relação muito especial de Maria com Cristo, que faz d’Ela a Mãe de Deus, aTheotókos, deriva a força da súplica com que nos dirigimos a Ela depois na segunda parte da oração, confiando à sua materna intercessão a nossa vida e a hora da nossa morte”11.
Assim, a contemplação do rosto de Jesus Cristo com a Virgem Maria é o memorial, a atualização dos mistérios da salvação no hoje da nossa vida. A atualização desses mistérios acontece de modo privilegiado na liturgia, na celebração da Eucaristia, memorial do mistério pascal de Cristo, da Sua Paixão, Morte e Ressurreição. A atualização se dá também naquelas devoções em que são contemplados os mistérios de Cristo. Entre essas devoções, brilha de modo inigualável o Rosário, no qual meditamos com a Virgem Maria os mistérios da nossa salvação. Nele, contemplamos com Maria o rosto humano de Deus. Por meio do Rosário, a Mãe de Deus nos leva ao seu Filho, para contemplarmos Sua face e fazer a Sua vontade: “Fazei o que ele vos disser”12. Por fim, pela oração do Rosário nos confiamos à materna intercessão da Virgem Mãe de Deus junto ao seu amado Filho Jesus Cristo.
Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!
Leia mais:
Referências:
1. Lc 2, 19; cf. 2, 51.
2. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 13.
3. Cf. Lc 1, 28.42.
4. Cf. Gn 1, 31
5. PAPA JOÃO PAULO II. Carta aos Artistas (4 de Abril de 1999), 1: AAS 91 (1999), 1155.
6. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 33.
7. Lc 1, 48.
8. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 33.
9. Cf. PAPA PAULO VI. Exortação Apostólica Marialis cultus, 46.
10. Cf. At 4, 12.
11. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 33.
12. Jo 2, 5.

Natalino Ueda

Missionário da comunidade Canção Nova desde 2005. Cursou Filosofia e Teologia, atua no portal cancaonova.com como produtor de conteúdo e é autor do blog Todo de Maria: http:// blog.cancaonova.com/tododemaria

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Papa: Conselhos de Santa Teresa são de perene atualidade

2014-10-15 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV)

“Teresa de Ávila nos ensina que o caminho em direção a Deus é também um caminho em direção aos homens”. Foi o que escreveu o Papa Francisco na mensagem enviada ao Bispo de Ávila, no dia em que a Igreja recorda a memória litúrgica de Santa Teresa de Jesus e no âmbito dos festejos do Ano Jubilar pelo 5º centenário de nascimento da santa, Carmelita descalça e Doutora da Igreja (28 de março 1515 – 15 de outubro de 1582). Francisco pede para “percorrer as estradas do nosso tempo com o Evangelho na mão e o Espírito no coração”.
“O Evangelho não é uma bolsa de chumbo que se arrasta pesadamente, mas uma fonte de alegria que preenche de Deus o coração e o impele a servir os homens”, disse ainda o Santo Padre na mensagem, que recorda Teresa de Ávila como um exemplo de santa. “Ela sai pelos caminhos do próprio tempo com o Evangelho na mão e o espírito no coração”, disse Francisco.
O Pontífice recordou 4 pontos da espiritualidade da Santa que viveu no século XVI: alegria, oração, fraternidade e inserção no próprio tempo. Sublinha o valor da alegria da descoberta do amor de Deus, a conseqüente motivação em amarem-se uns aos outros, tudo isto sustentado pela oração. “A oração – escreve o Papa – supera o pessimismo e gera boas iniciativas”.
A seguir, Francisco fala sobre a importância de se viver no próprio tempo. “A experiência mística de Teresa de Ávila – observou o Papa – não a separou do mundo nem das preocupações das pessoas, pelo contrário, deu a ela novo impulso e coração para a ação”. E sublinha: “Teresa de Jesus viveu as dificuldades de seu tempo”.
Falando de um “realismo teresiano”, Francisco recomenda: “Quando o mundo arde, não se pode perder tempo em atividades de pouca importância”, para então recordar o encorajamento da Santa contido em alguns escritos: “Já é tempo de caminhar”.
Os conselhos da Santa – disse o Papa Bergoglio – são de “perene atualidade” e valem, quer para os indivíduos no caminho em direção a Deus e aos homens, quer para as comunidades de vida consagrada.
O Papa Francisco, por fim, pede: “Que em uma cultura do provisório, se viva a fidelidade do ‘para sempre’; em um mundo sem esperança, se mostre a fecundidade de um coração enamorado; em uma sociedade com tantos ídolos, sejamos testemunhas do fato que só Deus basta”. (JE)

Seguir Teresa de Ávila pelo caminho da alegria, da oração, da fraternidade e do próprio tempo - Mensagem do Papa

2014-10-15 Rádio Vaticana
Neste dia 15 de outubro, em que a Igreja celebra a memória litúrgica de Santa Teresa de Ávila, tem início um Ano Jubilar comemorativo do quinto centenário da Santa (que nasceu a 28 de março de 1515). Hoje mesmo o Papa Francisco enviou ao bispo de Ávila, D. Jesús García Burillo, uma mensagem em que encoraja os fiéis, nomeadamente espanhóis, a aplicarem-se em conhecer a vida e os escritos de Santa Teresa, que tanto podem ensinar aos homens e mulheres de hoje.
“Na escola da santa andarilha aprendemos a ser peregrinos” - escreve o Papa, que observa que “a imagem do caminho pode sintetizar muito bem a lição da sua vida e obra”, pois “ela entendeu a sua vida como caminho de perfeição através do qual Deus conduz o homem, de morada em morada, até Ele, e ao mesmo tempo, o põe em marcha em direcção aos homens”. Neste contexto, o Santa Padre aponta quatro caminhos nesta marcha teresiana, que todos poderemos imitar com proveito: o caminho da alegria, da oração, da fraternidade e do próprio tempo.
Antes de mais a alegria: “Teresa de Jesus convida as suas monjas a ‘viverem alegres servindo’. A verdadeira santidade é alegria porque – como ela dizia – ‘um santo triste é um triste santo’. Antes de serem valentes heróis, os santos são fruto da graça de Deus aos homens”.
Em segundo lugar, caminho de oração. “A Santa transitou também pelo caminho da oração, que definiu de um modo belíssimo como ‘tratar de amizade estando muitas vezes sozinhos com quem sabemos que nos ama’.” Rezar não é uma forma de fugir, nem de isolar, mas de avançar numa amizade que tanto mais cresce quanto mais se trata ao Senhor como "amigo verdadeiro" e fiel "companheiros" de viagem. Por muitos caminhos pode deus conduzir as alamas até si, mas é a oração "o caminho seguro". Estes conselhos - observa o Papa na sua mensagem - são de perene atualidade e valem especialmente para todos os membros da vida consagrada, aos quais dirige uma exortação: "Numa cultura do provisório, vivam a fidelidade - como dizia Teresa - 'para sempre, sempre, sempre'. Num mundo sem esperança, mostrem a fecundidade de um 'coração enamorado'. Numa sociedade com tantos ídolos, sejam testemunhos de que 'só Deus basta'."
Depois, fraternidade. “Este caminho, não o podemos fazer sozinhos, mas uns com os outros. Para a santa reformadora, o caminho da oração segue pela via da fraternidade no seio da Igreja Mãe. A sua providencial resposta… aos problemas da Igreja e da sociedade do seu tempo… foi fundar pequenas comunidades de mulheres que… vivessem com simplicidade o Evangelho apoiando a Igreja com uma vida feita oração”.
Finalmente, o caminho do próprio tempo: “Precisamente porque é mãe de portas abertas, a Igreja está sempre em caminho para levar aos homens a ‘água viva’ de que têm sede. A santa escritora e mestra de oração foi ao mesmo tempo fundadora e missionária pelos caminhos da Espanha. A sua experiência mística não a separou do mundo nem das preocupações das pessoas. Pelo contrário, deu-lhe novo impulso e coragem para a ação e para os deveres de cada dia”. (PG)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Mãe peregrina, ensina seu povo a rezar

Mãe peregrina, ensina-nos a rezar junto com o povo amado do Senhor
Maria de Nazaré, Mãe e Mestra de nossa vida cristã, aqui estamos, como filhos e crianças do Evangelho, pedindo que nos ensines a rezar. Permite-nos entrar em tua casa de Nazaré, pois Nazaré é sempre nossa casa! Aqui mesmo, queremos aprender a louvar a Deus! Contigo dizemos: “Bendito sejas tu, Senhor do universo! Louvado sejas, Senhor, por aquilo que és, pela Tua presença amorosa, maior do que tudo. Nós Te reconhecemos, Deus único, Pai de todos, fonte de todo o bem, Senhor de todas as coisas. Tu nos criaste por pura bondade para participarmos de Tua obra de amor e nos permites usar todos os bens que nos ofereces. Todo o mundo Te louva e Lhe agradece. Faz com que nossa vida cante os Teus feitos e Te chame Bendito”.
“Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Assim reconheceste, Maria, que o Senhor é Deus! Ensina-nos a palavra que tantas vezes ressoou em teu ouvido e em teu coração: “Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E trarás gravadas no teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. Tu as repetirás com insistência a teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em casa ou andando a caminho, quando te deitares ou te levantares” (Dt 6, 4-7). Queremos aprender contigo a guardar todas as coisas, meditando-as no coração (cf. Lc 2, 19.51). Ensina-nos que a oração começa na escuta de Deus!
Ensina teu povo a rezar - 940x500
Maria do Magnificat, conduze-nos contigo à casa de Isabel. Tu és bendita entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Sejamos pequenos contigo e deixemos que Deus olhe para o que somos com Sua misericórdia infinita. Faze que em nosso coração se encontre o desejo de servir e amar, para que nossa oração seja verdadeira. Ensina-nos a rezar contigo o Magnificat. Alcança-nos a graça de sair de nós mesmos e correr com presteza ao encontro das necessidades dos irmãos e irmãs. Abre nossos olhos e o nosso coração aos sofrimentos de quem está ao nosso redor. Sejam benditos e acolhidos com amor, junto contigo, todos os que respeitam o Senhor. Os humildes sejam exaltados, dispersos os orgulhosos, saciados os famintos. E todos os servos de Deus, de ontem e de hoje, sejam acolhidos por aquele que é fiel em Seu eterno amor! Então, em tua companhia brotará de nossos lábios a oração: “A minh’alma engrandece o Senhor e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador!” Ensina-nos, Maria, a oração que leva a Deus a vida de todos, sobretudo dos mais pobres e sofredores!
Maria de Belém, peregrina e romeira, Maria dos caminhos difíceis e cansativos. Maria da multidão, em Belém de Judá, procuraste com José um lugar para te abrigares. Procura junto conosco os lugares para os mais pobres de nossas cidades. Foste peregrina em Jerusalém, levando nos braços o próprio Deus, que visitava o Seu Templo! Foste muitas vezes ao templo, cumpriste teus votos e promessas, foste fiel na observância da lei! Ajuda-nos a rezar junto com os outros, como povo amado do Senhor. Nossas igrejas e capelas, que são casas de oração, tornem-se repletas das vozes do povo que louva, agradece, pede perdão e suplica confiante pelas necessidades de todos. Ensina-nos a viver nossos deveres religiosos!
Maria, discípula em Caná, ensina-nos a rezar. Tenhamos contigo a atenção às necessidades do próximo, para levá-las a Jesus, o único que pode transformar água em vinho. Ajuda-nos a acreditar na receita do milagre, ensina-nos de novo a lição que deste aos servidores de Caná: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5). Dá-nos acreditar como discípulos naquele que faz a festa da vida acontecer, o Senhor que nos dá de presente a alegria! Ensina teu povo a rezar sempre e em todas as circunstâncias. Nossa oração seja feita de obediência e fidelidade a Deus.
Maria de Nazaré, ensina teu povo a rezar a oração do dia a dia vivido no amor. Saibamos valorizar o silêncio, o diálogo amigo, as orações mais simples, o trabalho diário oferecido a Deus com amor, sem desperdiçar sentimentos e esperanças, dores e alegrias. Ajuda-nos a levar tudo ao Altar de Deus, para unir nossa vida ao Sacrifício Redentor de Jesus, teu Filho amado. Ensina teu povo a rezar!
Maria, Mãe do Redentor, estavas de pé junto à Cruz de Jesus. Ensina-nos a rezar a oração da entrega e da participação no Mistério de Cristo. Recolhe conosco, pelas ruas do Círio, lágrimas, suor, esperanças e sonhos. Tudo ganhe sentido e nossa vida encontre seu rumo.
Maria de Nazaré, de Belém e do Cenáculo. A Igreja que aguardou o dia de Pentecostes estava em oração junto contigo. Faze-nos unidos em oração e abertos às inspirações do Espírito Santo, para continuarmos a peregrinação da fé. Ensina teu povo a rezar!
Ensina teu povo a rezar todos os dias o “Pai Nosso”. Ajuda-nos a chamar a Deus de Pai, a saber que é nosso, de todos os que são irmãos e irmãs. Contigo nossa vida santifique o nome de Deus, dê lugar a Ele em todas as suas decisões. Tu, que fazias parte daqueles Servos de Javé, em cujos corações a esperança não se apagara, ensina-nos a ser apaixonados pelo Reino de Deus e buscá-lo mais do que tudo. Como escolheste a melhor parte, fazer o que a Palavra de Deus te mostrava, ensina-nos que a vontade de Deus é o que existe de melhor para todas as pessoas, no Céu e na Terra. Mãe de Deus e nossa Mãe, conduze-nos ao ato de confiança e entrega nas mãos daquele que dá o Pão de cada dia, pão do corpo e o Pão eucarístico da vida eterna. Tu és invocada como Mãe de Misericórdia, pede ao Pai para que o perdão verdadeiro se espalhe no mundo. Que ninguém bloqueie o perdão infinito de Deus com o fechamento de seu coração ao perdão a ser dado ao próximo. Mostra-nos que só a graça do Senhor nos sustenta para vencermos a tentação e nos livra do mal! Maria do sim, Senhora do Caminho, Mãe Peregrina, Senhora do Círio de Nazaré, ensina-nos a dizer “Amém”.

Dom Alberto Taveira Corrêa

Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém - PA.
Fonte Canção Nova

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil

Em 12 de outubro de 1717 chegava o governador de Assumar em Guaratinguetá, SP. A Câmara da Vila notificou então os pescadores que apresentassem todo o peixe que pudessem para o governador. Entre muitos, foram pescar Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso até o porto de Itaguaçu, sem nada pescar. Eis que João Alves lançando a rede de rasto neste porto, tirou o corpo da Senhora, sem cabeça, e, lançando mais abaixo outra vez a rede, tirou a cabeça de mesma Senhora. A imagem encontrada media 38 cm de altura e cor bronzeada. Continuando a pescaria, pescaram muitos peixes e logo perceberam o milagre.
Os pescadores levaram a imagem para as suas casas; alguns sinais milagrosos começaram a acontecer, o que chamou a atenção do Pe. José Alves Vilela, pároco de Guaratinguetá, SP, que decidiu construir uma capela para o crescente número de devotos da Virgem. Entre os grandes milagres conta-se o do escravo, ocorrido em 1790: suas correntes se soltaram das mãos quando ele implorava a proteção de Nossa Senhora Aparecida diante da imagem. Depois esta capela foi substituída por outra maior no morro dos Coqueiros em 1745, morro que tomou o nome de “Aparecida”. Em 1846 foi iniciada a construção de uma igreja maior. Em 1884 a Princesa Isabel doou uma coroa a Nossa Senhora Aparecida para pagar uma promessa feita a Ela, em que pedira, em 1868, um herdeiro para o trono. Sete anos após ter feito o pedido, a princesa Isabel deu à luz D. Pedro de Alcântara. Em 1884 a princesa retornou a Aparecida com a coroa e com os três filhos, D. Pedro de Alcântara, D. Luiz Felipe e D. Antônio. A Coroação aconteceu em 1904.
Em 1930 o Brasil foi solenemente consagrado a Nossa Senhora Aparecida pelo Cardeal D. Sebastião Leme na presença do Presidente da República Washington Luiz. O Brasil era consagrado definitivamente e para sempre a Nossa Senhora. D. Pedro I, o primeiro Imperador, confirmando antiga provisão de Sua Majestade o rei de Portugal do ano de 1646, declarou a Virgem da Conceição Padroeira do Brasil. O Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira principal de todo o Brasil. Aos 16 de julho de 1930 publicava no “Motu proprio”: “(…) por conhecimento certo e madura reflexão Nossa, na plenitude de Nosso poder apostólico, pelo teor das presentes letras, constituímos e declaramos a mui Bem-aventurada Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de “Aparecida”, Padroeira principal de todo o Brasil diante de Deus”. No ano de 1980 foi então abençoada a nova e grande Basílica pelo Papa João Paulo II. brasileiro está sob o manto protetor da Mãe de Deus e nossa.
A nova basílica foi concluída em sua parte principal em 1980; tem 23.000 m² e área coberta de 18.000 m². A lotação normal é de 45.000 pessoas, podendo chegar a 70.000 pessoas. É a grande casa da Mãe do povo brasileiro: simples, pobres, ricos, coxos, aleijados, doutores e analfabetos veem ali para pedir a bênção e a proteção de sua Mãe. É comovente ir a Aparecida do Norte e participar de uma Santa Missa, com o povo lotando a enorme Basílica. E o templo está cada vez mais bonito, para a glória de Nossa Senhora; e é o povo mais pobre e humilde que custeia isso com suas doações. É a Casa Santa desse povo de Deus. É ali que Ela nos abençoa.
Fonte Canção Nova

sábado, 11 de outubro de 2014

Nossa Senhora Aparecida e a liberdade

O encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida: prenúncio da libertação dos filhos de Deus.
Nossa Senhora Aparecida e a liberdade
Nossa Senhora da Conceição Aparecida
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Padroeira do Brasil, quer a verdadeira libertação do Povo de Deus de todo tipo de escravidão. Compreendemos isso a partir do fato de que o milagre de Aparecida aconteceu em 1717, na época do Brasil colonial, que estava dividido pelo “muro vergonhoso da escravatura”1. Na primeira metade do século XVI, os portugueses traziam africanos de suas colônias na África para trabalhar como escravos nos engenhos de açúcar. Os escravos os africanos eram vendidos como se fossem mercadorias aqui no Brasil. A partir do século XVIII, estes também trabalhavam nas fazendas de açúcar e nas minas de ouro, nas piores condições possíveis, constantemente sofrendo maus tratos. Trabalhavam muito, com roupas indignas e uma alimentação geralmente muito ruim. Passavam as noites nas senzalas, acorrentados, para que não fugissem. Os escravos eram constantemente castigados, geralmente com açoites, a punição mais comum no Brasil Colônia. Além da escravidão, não havia liberdade política e econômica, o que impedia o crescimento do país. Mostrando-se solidária a todos esses sofrimentos, “Nossa Senhora Aparecida se apresenta com a face negra, primeiro dividida mas depois unida, nas mãos dos pescadores”2.
O encontro desta pequena imagem nas águas do rio Paraíba do Sul foi o prenúncio da libertação dos escravos, do nascimento de um povo livre. Um sinal disso foi o milagre da libertação de um escravo, que rezava a Nossa Senhora e, neste momento, suas cadeias caíram. Seu senhor presenciou o milagre e o libertou. Suas cadeias estão no Museu do Santuário de Aparecida. Outro sinal da intervenção de Maria foi o empenho da Princesa Isabel, que era devota da Virgem Maria, para a libertação dos escravos. A Regente, que já não tinha escravos em sua casa, trabalhou incansavelmente na política para acabar com a escravidão no Brasil. Depois de muitos esforços, em 28 de setembro de 1871, assinou a Lei do Ventre Livre, que dava a liberdade aos filhos de escravos e finalmente, em 13 de Maio de 1888, promulgou a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil. No mesmo ano, no dia 6 de novembro, a Princesa Isabel visitou pela segunda vez a Basílica de Aparecida e ofertou a Nossa Senhora uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com um manto azul, ricamente adornado. Estes objetos também estão no Museu do Santuário. A Princesa fez este gesto para pagar uma promessa feita em sua primeira visita, em 8 de dezembro de 1868, dia da Imaculada Conceição. Sua devoção mariana e o seu empenho pelo fim da escravidão nos ajuda a compreender que Isabel confiou a libertação dos escravos a Nossa Senhora.
Naquele tempo, não eram somente os escravos que precisavam de libertação, mas também o povo brasileiro, que estava há dois séculos sendo explorado pela corte portuguesa. Existia um monopólio comercial imposto por Portugal ao Brasil. Os agricultores e comerciantes precisavam de liberdade econômica para ampliar seus negócios. Além disso, havia a cobrança de altas taxas e impostos exigidos pela corte portuguesa. Outro fator importante era a necessidade de liberdade política para traçar os rumos do futuro do País. O Brasil estava dividido, pois os portugueses que governavam, dominavam a economia e a política da nação. A imagem da Imaculada Conceição econtrada, primeiro o corpo, depois a cabeça, tornou-se uma unidade de corpo e cabeça, o prenúncio da soberania, da Independência do Brasil, que seria conquistada em 7 de setembro de 1822.
Assista homilia do Padre Paulo Ricardo sobre a liturgia da “Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida“:
Ouça homilia do Padre Paulo Ricardo na Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, sobre “Maria, medianeira de todas as graças“: 
Hoje, dois séculos depois, a liberdade política e econômica continua a ser ameaçada pela mentalidade materialista, na qual o que importa é somente o lucro e o poder. Com isso, persiste a escravidão dos baixos salários, da exploração de crianças, do trabalho sem condições dignas, das prisões que lembram as antigas senzalas. Persiste ainda a escravidão das drogas, do alcoolismo, da prostituição, da violência, da venda de pessoas e de órgãos, como se fossem mercadorias. Tanto tempo se passou, mas ainda existem várias formas de escravidão e Nossa Senhora quer a libertação total dos seus filhos. Por isso, ela deixa-se encontrar nas águas profundas de nossas dificuldades, de nossos sofrimentos, de nossas necessidades. Como aqueles pobres pescadores, talvez nossos barcos sejam pequenos, nossas redes sejam frágeis e o tempo não seja favorável, mas devemos acreditar que Deus quer se manifestar em nossas vidas na simplicidade da devoção a Virgem Maria.
Em Aparecida, Deus dá-nos uma mensagem de restauração do que está quebrado, de união do que está dividido, de libertação da escravidão. “Muros, abismos, distâncias ainda hoje existentes estão destinados a desaparecer”3. A separação entre pais e filhos, entre irmãos, entre casais, entre amigos, entre pobres e ricos, entre jovens, adultos e idosos são reflexo do distanciamento de Deus. Nossa Senhora quer a união das famílias, dos amigos, dos casais, das classes sociais, das gerações, mas para isso precisamos levar o mistério de Deus para casa, como aqueles pescadores. Quem poderia imaginar que aquela pequena imagem de terracota, muito simples e frágil, que estava quebrada, poderia tornar-se a Padroeira do Brasil? Como aqueles homens simples, levemos o mistério de Deus escondido na imagem da Imaculada Conceição para nossos lares, mas principalmente para nossos corações. Pois, a verdadeira libertação começa em nosso interior. Nele é que existem muros de separação, que nos afastam das pessoas e principalmente de Deus. Ele quer derrubar estes muros para que possamos ser instrumentos de reconciliação e de paz. Entretanto, para que isso aconteça, o Senhor quer o nosso consentimento, a nossa abertura, ao mistério de Deus, que se faz pequeno e se manifesta na simplicidade de Maria. Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!
Referências:
2 Idem, ibidem.
3 Idem, ibidem.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria, segundo o Tratado de São Luís Maria, descobriu um caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina esta devoção, o caminho "a Jesus por Maria", que é o seu maior apostolado.

Fonte Canção Nova

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Papa Francisco e a devoção a Nossa Senhora Aparecida

Pontífice demonstra sua devoção e experiência com Nossa Senhora Aparecida
A experiência de Papa Francisco, no Santuário de Aparecida, marcou profundamente a sua vida e o seu pontificado. Lá, ele foi grandemente influenciado por Nossa Senhora, de modo particular durante a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe (CELAM).
Participar dessa conferência marcou a vida do Santo Padre, especialmente em sua prática pastoral e em sua devoção mariana. Tanto que, antes dos muitos compromissos na Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013), Francisco quis visitar a “Casa da Mãe”1, como ele carinhosamente chamou o Santuário. Certamente, o então Cardeal Jorge Mario Bergolio foi um dos bispos, como ele disse, “inspirados pelos milhares de peregrinos”2 que visitam diariamente o local para confiar sua vida a Nossa Senhora. A respeito dessa experiência, já como Sucessor de Pedro, disse: “Aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja”3.
Papa Francisco e a devoção a Nossa Senhora Aparecida
O Cardeal Bergolio sentiu-se tocado profundamente pela V Conferência e pela sua mensagem; ao mesmo tempo, a sua experiência pastoral e mariana no Santuário marcaram o Documento de Aparecida. Essa experiência única o marcou tanto que está na memória e no coração do Santo Padre. Podemos dizer que “o espírito de Francisco foi ‘forjado em Aparecida’”4 e, ao mesmo tempo, “a sua profunda experiência pastoral ajudou a forjar o espírito de Aparecida”5. Consequentemente, o Santuário é uma peça-chave para compreender o papado de Francisco, pois a Conferência recebeu muitas colaborações de Bergolio, que se deixou interpelar pelas inquietações que os bispos apresentaram e as assumiu como próprias. Comprovam essa marca de Francisco a sua visita ao Santuário Nacional, em 2014, e as mais de cinquenta menções, em seus discursos, de Nossa Senhora Aparecida e da V Conferência realizada na “Casa da Mãe”.
A experiência em Aparecida foi tão marcante que, na JMJ Rio2013, o Santo Padre falou aos bispos do Brasil sobre o encontro da imagem de Nossa Senhora como “chave de leitura para a missão da Igreja”6. Em Aparecida, Deus ofereceu ao Brasil a Sua própria Mãe e, ao mesmo tempo, Ele deu também uma lição sobre Si mesmo, sobre o Seu modo de ser e agir. O milagre de Aparecida começa com a busca de pescadores pobres, que “possuem um barco frágil, inadequado; têm redes decadentes, talvez mesmo danificadas, insuficientes”7. Na sua busca por peixes, encontram a imagem da Imaculada Conceição, primeiramente o corpo, depois a cabeça. “Em Aparecida, desde o início, Deus dá uma mensagem de recomposição do que está fraturado, de compactação do que está dividido. Muros, abismos, distâncias ainda hoje existentes estão destinados a desaparecer. A Igreja não pode descurar dessa lição: ser instrumento de reconciliação”8.
A iniciativa do milagre foi de Deus e da Virgem Maria, mas foi necessária uma abertura ao mistério divino. Se os pescadores, ao encontrar o corpo da imagem, a tivessem jogado de volta no rio, provavelmente o milagre não aconteceria. Felizmente, “os pescadores não desprezam o mistério encontrado no rio. Embora fosse um mistério que tenha aparecido incompleto, não jogaram fora seus pedaços. Esperam a plenitude, e esta não demorou a chegar. Há aqui algo de sabedoria que devemos aprender. Há pedaços de um mistério, como partes de um mosaico, que vamos encontrando. Nós queremos ver muito rápido a totalidade; e Deus, pelo contrário, Se faz ver pouco a pouco. Também a Igreja deve aprender esta expectativa”9.
Assim como aqueles pobres pescadores, a Igreja precisa dar espaço para o mistério de Deus, para que Ele encante e atraia as pessoas, pois somente a Sua beleza pode atrair. Ele se faz levar para casa naquela pequena imagem, desperta em nós o desejo de guardá-Lo em nossa própria vida, em nossa própria casa, em nosso coração. Deus também nos inspira a chamar os vizinhos para dar-lhes a conhecer a Sua beleza. A missão da Igreja nasce precisamente dessa fascinação divina, dessa maravilha do encontro. Porém, sem a simplicidade daqueles pescadores a nossa missão está fadada ao fracasso. “A Igreja tem sempre a necessidade urgente de não desaprender a lição de Aparecida […] As redes da Igreja são frágeis, talvez remendadas; a barca da Igreja não tem a força dos grandes transatlânticos que cruzam os oceanos. Contudo, Deus quer se manifestar justamente por nossos meios pobres, porque é sempre Ele quem está agindo”10.
Referências::
1. CANÇÃO NOVA. Homilia do Papa Francisco em Aparecida em 24 de Julho de 2013.
2. Idem, ibidem.
3. Idem, ibidem.
4. MELLO, Pe. Alexandre Awi. “Ela é minha Mãe!”: Encontros do Papa Francisco com Maria. 3ª ed. São Paulo: Loyola, 2014, p. 135.
5. Idem, ibidem.
6. PAPA FRANCISCO. Encontro com o Episcopado Brasileiro em 27 de julho de 2013, 1.
7. Idem, ibidem.
8. Idem, ibidem.
9. Idem, ibidem.
10. Idem, ibidem.

Natalino Ueda

Missionário da comunidade Canção Nova, desde 2005 cursou Filosofia e Teologia, atua no portal cancaonova.com como produtor de conteúdo é autor do blog Todo de Maria. blog.cancaonova.com/tododemaria

Fonte Canção Nova