terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ser mãe, o mais belo ato de heroísmo

O heroísmo da mãe é feito no dia a dia das coisas comuns
Em uma de suas cartas apostólicas, João Paulo II sabiamente coloca que a maternidade está ligada à estrutura pessoal do “ser” da mulher e com a dimensão pessoal do seu “dom sincero de si mesma”.
Nas palavras de Maria na Anunciação – “Faça-se em mim segundo a tua palavra”–, nós encontramos a disponibilidade da mulher ao dom de si e ao acolhimento da nova vida.
Ser mãe é um ato de heroismo -940x500
No dom de si, na capacidade de morrer para si mesma, toda mulher é chamada a ser mãe. Na maternidade, reflete-se o mistério eterno do gerar, que é próprio do Deus uno e trino.
Ser mãe, portanto, é ser uma mulher eterna! A mãe é aquela que traspassa o tempo, ela é a imagem do infinito terrestre. Ela é o imutável da vida, na concepção, na gestação e no parto. A concepção e o nascimento são a hora e o mistério da vida, são também a hora e o mistério da mulher.
A mãe é aquela que gera uma vida para a eternidade, que transmite vida ao infinito, ao mesmo tempo que sua vida transcorre no finito do cotidiano feito de pequenas e minúsculas fadigas.Feito de silêncio, o heroísmo da mãe é feito no dia a dia das coisas comuns.
A maternidade comporta uma comunhão especial com o mistério da vida, que amadurece no seio da mulher: a mãe admira este mistério com intuição singular, pois compreende o que vai se formando dentro de si. Esse modo único de contato com o novo ser que está sendo formado em seu ventre cria na mulher uma atitude especial e uma capacidade única de acolher o ser humano em geral; e isso caracteriza profundamente toda a personalidade dela.
A mulher, muito mais que o homem, possui uma disposição natural de atenção e cuidado para com o ser humano, e a maternidade só faz desenvolver ainda mais essa capacidade, esse dom.
Ser mãe e experimentar os sentimentos maternos é colocar-se do lado do abandonado, é saber se inclinar com amor e solicitude sobre tudo quanto há de pequeno e fraco na terra.
E este filho pode ser não apenas o filho do ventre, mas todo aquele ser humano que a mulher encontra ao longo de sua vida. Pois o mundo hoje é como uma criança pobre e abandonada que geme e precisa dos cuidados de uma mãe. O mundo, perdido como está, precisa encontrar em cada mulher uma mãe.
Quando Deus resolveu se encarnar no seio de uma mulher para se fazer homem e habitar entre nós, Ele quis colocar a mulher no papel de corredentora da humanidade. Ele quis colocar a mulher como responsável também pela sua obra criadora. Deus não precisava de uma mulher para vir ao mundo, mas Ele quis precisar dela. Por isso, na maternidade de Maria, encontramos todas as respostas para o que significa para a mulher se tornar mãe.
Todas as vezes que a maternidade da mulher se repete na história humana sobre a Terra, permanece sempre a aliança que Deus estabeleceu com o gênero humano mediante a maternidade da Mãe de Deus.
Contemplando esta Mãe, cujo coração foi traspassado por uma espada, o pensamento volta-se a todas as mulheres que sofrem no mundo, que sofrem tanto no sentido físico como moral. É difícil enumerar e nomear todos estes sofrimentos, mas podem ser recordados no desvelo maternal pelos filhos, especialmente quando estão doentes ou andam por maus caminhos, na dor das mães que perderam seus filhos, na dor das mães esquecidas pelos seus filhos adultos ou das viúvas, nos sofrimentos das mulheres que lutam sozinhas pela sobrevivência e nos sofrimentos das mulheres que sofreram injustiças e são exploradas. Sem falar em todos os sofrimentos causados pelo pecado que atingiram a dignidade humana ou materna da mulher.
Diante de todas estas dores, precisamos como Maria estar ao pés da Cruz de Cristo, pois ali também encontramos a ligação e o sentido da maternidade da mulher com o mistério Pascal.
“Da mesma maneira também vós estais agora tristes, mas eu voltarei a ver-vos; então vosso coração alegrar-se-á e ninguém mais tirará vossa alegria” (Jo, 16,22).

Judith Dipp

Formada em Psicologia, Judith foi cofundadora da Comunidade de Aliança Mãe da Ternura e voluntária num Centro de Atendimento e Aconselhamento para Mulheres ( Montgomery County Counselling and Carreer Center), em Washington, nos Estados Unidos. Atualmente, é psicóloga da Escola Internacional Everest, do Lar Antônia e da Congregação dos Seminaristas Redentoristas, todos com sede em Curitiba (PR), cidade onde reside.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Nossa Senhora sofreu as nossas dores

grd_03 (1)A Igreja nos ensina a meditar as “Sete Dores da Virgem Maria”, os momentos cruciais, martirizantes, que ela viveu ao lado de Jesus. Ele sofreu a Paixão, ela sofreu a compaixão. Por tudo o que ela sofreu por amor de Seu Filho amado e por nós, a Igreja a tem como a Consoladora dos Aflitos.
Santa Teresinha do Menino Jesus disse:
“Não tenha receio de amar demasiadamente a Santa Virgem; tu nunca conseguirás amá-la como Ela merece e Jesus ficará muito contente com este amor, pois a Santa Virgem é Sua Mãe.”
A Igreja nos ensina a meditar as “Sete Dores da Virgem Maria”, os momentos cruciais, martirizantes, que ela viveu ao lado de Jesus. Ele sofreu a Paixão, ela sofreu a compaixão. Por tudo o que ela sofreu por amor de Seu Filho amado e por nós, a Igreja a tem como a Consoladora dos Aflitos.
A Virgem Maria é a “Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve”. É a ela que vamos “suspirando e gemendo nesse vale de lágrimas” que o pecado transformou esse mundo. Ela volve a nós pecadores os seus olhos misericordiosos e tem compaixão de nós. Assim como ela acompanhou Jesus no caminho do Calvário até o Gólgota, nos acompanha também em nossas lutas, tentações, aflições e sofrimentos de toda ordem.
O Papa João Paulo II disse que “ela foi aquela que mais cooperou com a obra da Redenção realizada por Jesus”. Ninguém esteve tão perto Dele; ninguém sofreu tanto como ela.
Contemplar as suas dores, mirar as suas lágrimas, é haurir lições e graças preciosas, assim como contemplar a Via Sacra de Jesus.
Santa Brígida da Suécia diz em suas revelações que Nossa Senhora prometeu conceder sete graças a quem rezar, em cada dia, sete Ave-Marias em honra de suas dores e lágrimas.
Eis as promessas:
1 – Porei a paz em suas famílias.
2- Serão iluminados sobre os divinos mistérios.
3 - Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei em suas aflições.
4- Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha a adorável vontade de meu divino Filho e a santificação de suas almas.
5- Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.
6- Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima.
7- Obtive de meu Filho, para os que propagarem esta devoção às minhas lágrimas e dores, sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhes-ão apagados todos seus pecados e meu Filho e eu seremos sua eterna consolação e alegria.
A devoção a Nossa Senhora das Dores é das mais ricas. Por suas dores Ela nos ensina que se chega à perfeição cristã pelo sofrimento aceito com fé, paciência, e oferecido a Deus como “matéria-prima” de salvação e profunda comunhão com Deus. “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28).
Venerar a Rainha dos Mártires é receber o dom da fortaleza para as lutas da vida. Meditar as dores de Maria nos faz crescer no amor para com Ela, assim como meditar a Paixão do Senhor nos faz amá-Lo mais. Contemplar as lágrimas de Maria nos consola.
Maria é também a Rainha dos Confessores e dos Mártires, pois, mais do que todos eles, testemunhou Jesus até o fim. Já nos primeiros séculos, sob a terrível perseguição dos romanos, os cristãos se refugiavam sob a proteção da Mãe de Deus. A oração mais antiga dirigida a Ela, que se conhece, é aquela que os cristãos e mártires rezavam em Alexandria já no segundo século:
“Debaixo da Vossa Proteção nos refugiamos ó Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre dos perigos, Virgem gloriosa e bendita. Amém.”
Ela é a Rainha de todos os Santos, pois ninguém a superou em santidade, desde sua concepção virginal. Maria é Rainha porque seu Filho é Rei. O próprio anjo Gabriel disse a ela: “… e Seu reino não terá fim” (Lc 1,33).
A devoção às Sete dores de Maria teve origem de modo especial na Ordem dos Servitas, ou Servos de Maria. Compõe-se de sete partes ou séries de grãos, cada uma formada de um Pai-Nosso e sete Ave-Marias em honra das Sete Dores da Santíssima Virgem.
D. Fr. Alexandre da Sagrada Família, bispo de Málaga, em seu livro “A Devoção das Dores a Maria”, diz:
“Virgem Doloríssima, eu seria um ingrato se não me esforçasse em promover a memória e o culto de vossas dores. Vosso Divino filho tem vinculado a devoção de vossas dores, particulares graças para uma sincera penitência, oportunos auxílios e socorros em todas as necessidades e perigos e particularmente na hora da morte. Vinde todos que tendes sede, vinde fartar-vos neste manancial de abundantes graças.”
É preciso meditar muitas vezes nas dores da Virgem Maria para consolar o seu Sagrado Coração e crescer na virtude. Ela disse a uma alma santa:
“Ó almas que sofreis, vinde para perto de meu Coração e aprendei comigo. É junto de meu Coração transpassado de dor que achareis consolação! Mães aflitas, esposas amarguradas, jovens desorientados, meditando nos meus sofrimentos tereis força para atravessar todas as dificuldades. Que minhas dores vos comovam o coração, impulsionando-vos para a prática do bem.”
Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

Fonte Canção Nova

sábado, 8 de novembro de 2014

A ação extraordinária do Espírito Santo na Virgem Maria.


A ação do Espírito Santo na Virgem Maria é extraordinária. Maria, Mãe de Deus, toda Santa, sempre virgem. Foi o Espírito Santo que fez essa obra em Maria. A obra da Virgindade Perpetua, a obra da sua Imaculada Conceição. Toda Santa para poder receber na plenitude dos tempos o Filho de Deus. Quando completou a Plenitude dos Tempos Jesus veio, mas Maria concebeu pelo poder do Espírito Santo. O Espírito Santo preparou a virgem Maria com a Sua graça, porque era importante que nela houvesse apenas graça, pois ela seria mãe d´Aquele, onde, habita a plenitude da divindade, como diz São Paulo em Colossenses 2,9. Como ela para ser a Mãe de Deus poderia ser tocada pelo pecado? Jamais! Como dizia Santo Agostinho “seria uma desonra ao Filho que é Deus”. Assim, como o Espírito Santo, cuidou do Povo Santo, no doloroso exílio da Assíria e da babilônia, para que eles não perdessem a sua fé no Deus Único, o Espírito Santo preservou Maria toda pura, toda cheia de graça. Nunca teve o pecado pessoal e nem o pecado original. Por isso, o Anjo Gabriel disse a ela “Alegra-te Maria, alegra-te, porque o Senhor é convosco”. E o Espírito Santo realiza em Maria esse designo extraordinário de Deus. É pelo Espírito Santo que a Virgem concebe e dá a luz o Filho de Deus. Por isso, que a Igreja diz que o Espírito Santo é o Esposo Místico da Virgem Maria; Maria como que desposou o Espírito Santo e d´Ele concebeu o Filho do Homem. Essa foi, sem dúvida, a maior obra que o Espírito Santo fez na história da salvação.
Deus lhe abençoe!
Padre Cleidimar Moreira

São José: o maior devoto de Maria

O grande São José, o maior e mais fiel devoto da Virgem Maria.
São José o maior devoto de Maria
Sagrada Família
São José, o castíssimo esposo da Santíssima Virgem Maria, também é o seu maior e mais fiel devoto. Deus onipotente quis contar com a singular cooperação da Virgem de Nazaré e de José, o Justo, na obra da salvação da humanidade. Nossa Senhora foi a Mãe do Verbo encarnado, Jesus Cristo, e São José foi o guardião da Mãe e do Filho. Homem de grandes virtudes, José foi escolhido para ser esposo de Maria, a Mãe da Igreja. Apesar da sua humildade, José tornou-se o grande patrono e protetor da Igreja. A respeito deste grande homem, São José, o maior devoto de Nossa Senhora, convidamos nossos leitores a assistir uma palestra do Padre Paulo Ricardo para o Consagra-te.
Lembramos aos que se consagram no dia 8 de Dezembro, solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, que neste dia 8 de Novembro inicia-se os trinta dias de preparação para a consagração. Hoje é o primeiro dos doze dias preliminares, nos quais nos aplicamos para nos desapegar do espírito do mundo.Em 2014, a 5ª Campanha Nacional de Consagrações a Virgem Maria termina no dia 12 de Dezembro, na Sexta-feira, na festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América Latina. Recordamos as pessoas que se consagram, ou renovam a consagração, no dia 8 de Dezembro, também podem participar desta Campanha do Consagra-teinscrevendo-se gratuitamente, unindo-se a milhares de pessoas, que se entregam inteiramente a Jesus pelas mãos de Maria.
Por fim, conto a compreensão dos nossos leitores, pois passei por uma intervenção cirúrgica no ombro direito e consequentemente estou sem condições de escrever textos mais longos. Peço as vossas orações para que me recupere o mais rápido possível e possa voltar ao ritmo normal do blog Todo de Maria. Nossa Senhora e São José, rogai por nós!

Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria, segundo o Tratado de São Luís Maria, descobriu um caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina esta devoção, o caminho "a Jesus por Maria", que é o seu maior apostolado.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Os falsos devotos de Maria e o espírito do mundo

Os falsos devotos de Nossa Senhora e a influência do espírito do mundo.
Os falsos devotos de Maria e o espírito do mundo
Nossa Senhora do Bom Sucesso
Na devoção a Nossa Senhora, há falsos devotos, que não desapegam-se do espírito do mundo, por isso não compreendem as “coisas do Espírito de Deus”1. Esses devotos falsos são: os devotos críticos; os devotos escrupulosos; os devotos exteriores; os devotos presunçosos; os devotos inconstantes; os devotos hipócritas; os devotos interesseiros. Estes falsos devotos da Santíssima Virgem Maria, que têm suas características próprias, colocam-se em grande perigo as suas próprias almas e as daqueles que lhes são próximas. Por isso, no início da preparação para a consagração, e também para a renovação, devemos assumir o firme propósito de romper com o espírito do mundo, que é contrário ao Espírito da consagração a Virgem Maria, que é o próprio Espírito Santo. Se não rompemos totalmente com o espírito do mundo, o Espírito de Deus não poderá completar a sua obra em nós através da consagração. Para ajudar a identificar em nós o espírito do mundo, vejamos como ele se manifesta em alguns dos falsos devotos de Nossa Senhora.
Os devotos críticos são sábios orgulhosos, espíritos fortes, que se bastam a si mesmos. No fundo, têm alguma devoção à Virgem Maria, mas criticam quase todas as práticas de devoção que as almas mais simples oferecem singela e santamente a Mãe de Deus. Eles põem em dúvida todos os milagres e histórias que testemunham as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Veem com desgosto as pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem para aí rezar a Deus. Acusam estas pessoas de idolatria, como se estivessem adorando uma imagem de madeira ou pedra. “Quando lhes referem os louvores admiráveis que os Santos Padres tecem a Nossa Senhora, ou respondem que isso é exagero, ou explicam erradamente as suas palavras. Esta espécie de falsos devotos e de gente orgulhosa e mundana é muito para temer, e causam imenso mal à Devoção a Nossa Senhora, afastando eficazmente dela o povo, sob o pretexto de destruir abusos”2.
Os devotos exteriores são pessoas que diminuem a devoção à Santíssima Virgem somente à práticas externas. “Ficam apenas na exterioridade desta Devoção, por lhes faltar espírito interior. Rezarão muitos terços às pressas; ouvirão muitas Missas sem atenção; irão sem devoção às procissões; entrarão em todas as confrarias de Nossa Senhora sem mudar de vida, sem fazer violência às suas paixões, nem imitar as virtudes desta Virgem Perfeitíssima”3. Esta falta de conversão faz com que os devotos exteriores não se desapeguem do espírito do mundo, e consequentemente não vivam o mais importante da consagração, que é a vida interior. Estes falsos devotos só apreciam o que há de sensível na devoção, sem dar importância ao que tem de sólido. “Se não experimentam prazer sensível nas suas práticas, julgam que já não fazem nada, desorientam-se, abandonam tudo, ou fazem as coisas precipitadamente. O mundo está cheio desta espécie de devotos exteriores, e não há ninguém como eles para criticar as almas de oração”4. Ao contrário, os verdadeiros devotos aplicam-se ao interior, por ser o essencial, sem desprezar a modéstia exterior que acompanha sempre a verdadeira devoção.
“Os devotos presunçosos são pecadores entregues às suas más paixões, ou amigos do mundo”5. Estes são aqueles mais explicitamente apegados ao espírito do mundo. Sob o nome de cristãos e de devotos da Virgem Maria, escondem o orgulho, a avareza, a impureza, a embriaguez, a cólera, a blasfêmia, a maledicência, a injustiça. Estes falsos devotos dormem em paz nos seus maus hábitos, sem se esforçar muito para os corrigir, sob o pretexto de que são devotos de Nossa Senhora. “Dizem para consigo mesmos que Deus lhes perdoará, que não hão de morrer sem confissão e não serão condenados porque rezam o Terço, porque jejuam aos sábados e pertencem à confraria do Santo Rosário ou do escapulário, ou às suas congregações, ou porque trazem o hábito ou a cadeia da Santíssima Virgem. Se alguém lhes diz que a sua devoção não passa de ilusão do demônio e de perniciosa presunção capaz de os condenar, não querem acreditar”6. Dizem que Deus é bom e misericordioso, que não nos criou para a condenação, que todos pecam, o que são verdades. Entretanto, o erro dos presunçosos é acreditar que não morrerão impenitentes e que um bom “pequei”7 na hora da morte será suficiente para salvá-los. “Nada é tão prejudicial no Cristianismo como esta presunção diabólica”8. Pois, podemos dizer que amamos e honramos a Santíssima Virgem, quando ferimos traspassamos, crucificamos e ultrajamos impiedosamente seu Filho Jesus Cristo com o pecado?! “Se Maria se comprometesse a salvar, por misericórdia, esta espécie de pessoas, autorizaria o crime, ajudaria a crucificar e ofender seu Filho! Quem ousará sequer pensar coisa semelhante?!”9.
Portanto, conscientes do mal que é pertencer ao número desses falsos devotos, evitemos pertencer ao número dos devotos críticos, que não acreditam em nada e criticam tudo; dos devotos escrupulosos, que temem ser muito devotos da Santíssima Virgem Maria, por um respeito para com Jesus Cristo, mas ofendendo a Mãe, ofendem também o Filho; dos devotos exteriores, que fazem de toda a sua devoção somente as práticas externas; dos devotos presunçosos, que tentam esconder-se atrás da sua falsa devoção à Nossa Senhora e apodrecem nos seus pecados; dos devotos inconstantes que, por leviandade, variam as suas práticas de devoção, ou as deixam completamente à menor tentação; dos devotos hipócritas, que entram nas confrarias da Mãe de Deus e usam as suas insígnias a fim de se passar por bons; e dos devotos interesseiros, que só recorrem à Rainha do Céu para serem livres dos males do corpo ou para obter bens temporais. Pois, esses falsos devotos da Virgem Maria fazem um grande mal a si mesmos, colocando em risco a sua salvação eterna, e a Igreja, com seus pensamentos mundanos e seus maus exemplos. Se nos identificamos com um ou mais desses devotos falsos, esforcemo-nos para corrigir em nós os seus erros e desapeguemo-nos do espírito do mundo, para entrar no verdadeiro Espírito da consagração, que é o Espírito de Deus. Nossa Senhora do Bom Sucesso, rogai por nós!
Referências:
1 1 Cor 2, 14.
3 Idem, 96.
4 Idem, ibidem.
5 Idem, 97.
6 Idem, ibidem.
7 2 Sm 12, 13; Sl 50.
8 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 98.
9 Idem, ibidem.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria, segundo o Tratado de São Luís Maria, descobriu um caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina esta devoção, o caminho "a Jesus por Maria", que é o seu maior apostolado.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A consagração e o desapego do mundo

O desapego do espírito do mundo é uma das exigências da consagração total a Virgem Maria.
A consagração a Virgem Maria e o desapego do espírito do mundo
Nossa Senhora de Guadalupe
Nos doze primeiros dias de preparação para a consagração total, ou escravidão de amor, a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria, somos chamados a desapegar-nos do espírito do mundo, que é contrário ao Espírito de Deus1. A escravidão de amor, à qual somos chamados, nos torna livres das cadeias do pecado, mas para isso é necessário romper com o espírito mundano, de tudo aquilo que nos aprisiona e nos afasta de Deus. Este desapego é necessário a todo verdadeiro cristão, especialmente se queremos nos consagrar a Nossa Senhora ou já somos consagrados a ela. A respeito do espírito do mundo, Papa Francisco diz: “É realmente ridículo que um cristão verdadeiro, que um padre, um freira, um bispo, um cardeal, um papa, queiram percorrer esta estrada do mundo, é uma atitude homicida. O mundano mata, mata a alma, as pessoas, mata a Igreja”2. Por isso, peçamos ao Senhor, pela intercessão de Maria, a coragem de nos despojar do espírito do mundo, “que é a lepra e o câncer da sociedade, é o câncer da revelação de Deus. O espírito do mundo é o inimigo de Jesus”3. Mas, na prática, o que é este espírito do mundo?
Hoje, como em outros tempos, vivemos num mundo de escravidão, pois o pecado escraviza: “todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo”4. O espírito do mundo é aquele que nos leva à escravidão do egoísmo, da vida fútil, do dinheiro, do poder, do prazer, das paixões, da televisão, da internet, da moda, do álcool, do cigarro, das drogas, do crime, da devassidão, da pornografia, do sexo fora do Matrimônio. Além disso, o Feminismo, o Comunismo, a Nova Era e tantas outras ideologias escravizam cada vez mais os homens e mulheres do nosso tempo. O resultado de tudo isso é o desespero, a frustração, a neurose, a violência, a degradação religiosa e moral, a morte espiritual, como já dizia São Paulo: “o salário do pecado é a morte”5. Quando vivemos conforme o espírito do mundo, perdemos a nossa liberdade. Os escravos de amor são os únicos verdadeira e totalmente livres 6, pois vivem na liberdade dos filhos de Deus.
Quando nos apegamos ao espírito do mundo, a concupiscência da carne, que é a nossa tendência para o pecado, empurra-nos a todas essas escravidões, em nome da liberdade. Esta é uma liberdade falsa, que nos aprisiona quando nos entregamos a ela. Como outrora, em nosso tempo, o grito “é proibido proibir” continua a ressoar, abrindo as portas para todos os tipos de violências e depravações do corpo e da alma. A paráfrase do trecho de um livro de Dostoiévski: “se Deus não existe, tudo é permitido”7, mal interpretada, retira todo e qualquer limite moral e religioso para aqueles que não creem. Quando o personagem desse livro diz “se Deus não existe”, está colocando uma premissa e não afirmando a inexistência de Deus; e, quando ele diz: “tudo é permitido”, está colocando as consequências do ateísmo, que nos leva ao neopaganismo. Mas, o Altíssimo existe, Se revelou plenamente em seu Filho e, em resposta ao Seu chamado, nos fazemos “escravos de Cristo”8 e inimigos do espírito do mundo.
Ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “O que é uma ideologia?”:
A escravidão de amor a Jesus e a Maria – ao contrário do espírito do mundo, que nos aprisiona e nos leva à escravidão do pecado – nos torna verdadeiramente livres. Por isso, “os fiéis servidores de Maria devem desprezar, odiar e fugir muito do mundo corrupto, e servir-se das práticas de desprezo do mundo”9, que fazem parte da consagração. Esta escravidão de amor “fortalece a alma no bem, levando-a a não abandonar com facilidade os seus exercícios de devoção. Torna-a corajosa em opor-se ao mundo com as suas modas e máximas; à carne com seus aborrecimentos e paixões; e ao demônio com suas tentações”10. Se formos verdadeiramente devotos da Santíssima Virgem, não seremos volúveis, melancólicos, escrupulosos, ou medrosos. Entretanto, isto não quer dizer que não caímos de modo algum, ou que não mudemos algumas vezes na sensibilidade da nossa devoção. Mas, se caímos, estendemos a mão à nossa bondosa Mãe e nos levantamos. Se perdemos o gosto e a devoção sensível, não nos perturbamos, pois “o justo e fiel servo de Maria vive da fé11 em Jesus e Maria, e não dos sentimentos do corpo”12.
Assim, todos nós cristãos, especialmente aqueles que são consagrados a Virgem Maria ou se preparam para fazer a consagração, somos chamados a desapegar-nos do espírito do mundo. Pois, o espírito mundano é contrário ao Espírito de Deus, ao santo Evangelho e à escravidão de amor a Jesus e a Maria. Por isso, devemos desprezar, odiar e fugir deste mundo corrupto, e servir-nos das práticas de desprezo do mundo, o uso das correntes, a oração do Santo Rosário e a oração da Coroinha de Nossa Senhora13e especialmente a devoção a Maria na Sagrada Comunhão14, para nos fortalecer no Espírito Santo. Principalmente se estamos nos preparando para fazer ou renovar nossa consagração, seremos tentados e podemos até cair. Por isso, caso este fato venha a acontecer, não desanimemos, levantemo-nos de nossas quedas, confessemos os nossos pecados e retomemos o caminho da consagração a Jesus por Maria. Desde já, entreguemo-nos totalmente a Virgem Maria, para que sejamos inteiramente de Jesus Cristo. Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!
Referências:
3 Idem.
4 Jo 8, 34.
5 Rm 6, 23.
6 Cf. Jo 8, 36.
7 FIÓDOR DOSTOIÉVSKI. Os Irmãos Karamázov.
8 Ef 6, 6; cf. 1 Cor 7, 22.
9 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 256.
10 Idem, 109.
11 Hb 10, 38.
12 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 109.
13 Idem, 226-255.
14 Idem, 266-273.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria, segundo o Tratado de São Luís Maria, descobriu um caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina esta devoção, o caminho "a Jesus por Maria", que é o seu maior apostolado.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Por que rezamos pelos Mortos?

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O Catecismo da Igreja lembra que: “Reconhecendo cabalmente a comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os tempos primeiros da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos…”(n. 958). Ela reza em todas as missas pelo sufrágio das almas que estão se purificando no Purgatório para atingirem a santidade plena e viverem para sempre na comunhão com Deus. Elas não podem mais fazer nada por elas mesmas. A Carta aos Hebreus diz que “sem a santidade ninguém pode ver o Senhor” (Hb 12,14).
São João Crisóstomo (349-407), bispo e doutor da Igreja, já no século IV dizia: “Levemos-lhe socorro e celebremos a sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelos sacrifícios de seu pai (Jó 1,5), porque duvidar que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leva alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer as nossas orações por eles” (Hom. 1Cor 41,15). “Os Apóstolos instituíram a oração pelos mortos e esta lhes presta grande auxílio e real utilidade” (PG 62, 204). São Cirilo, bispo de Jerusalém (†386), disse em suas Catequeses: “Enfim, também rezamos pelos santos padres e bispos e defuntos e por todos em geral que entre nós viveram; crendo que este será o maior auxílio para aquelas almas, por quem se reza, enquanto jaz diante de nós a santa e tremenda vítima”.
No segundo livro de Macabeus, da Bíblia, encontramos esta recomendação: “É coisa santa e salutar lembrar-se de orar pelos defuntos, para que fiquem livres de seus pecados”. (2Mac 12,46). Não só é coisa santa rezar pelos falecidos, mas o dia de finadoscrist_o_diante_da_morte_menor é uma oportunidade para todos refletirem sobre a morte: “Bem-aventurado o homem que, quando o Senhor vier buscá-lo, estiver preparado”.
No dia de Finados, não festejamos a morte, mas a vida após a morte, a ressurreição que Cristo nos conquistou com sua morte e Ressurreição. E as almas também rezam por nós. Diz o Catecismo que: “A nossa oração por eles [no Purgatório] pode não somente ajudá-los, mas também torna eficaz a sua intercessão por nós” (n. 958). Falando dos falecidos disse um dia o Papa João Paulo II: “Numa misteriosa troca de dons, eles [no Purgatório] intercedem por nós e nós oferecemos por eles a nossa oração de sufrágio”. (LR de 08/11/92, p. 11). “A tradição da Igreja exortou sempre a rezar pelos mortos. O fundamento da oração de sufrágio encontra-se na comunhão do Corpo Místico… Por conseguinte, recomenda a visita aos cemitérios, o adorno dos sepulcros e o sufrágio, como testemunho de esperança confiante, apesar dos sofrimentos pela separação dos entes queridos” (LR, n. 45, de 10/11/91).
Prof. Felipe Aquino
Fonte Canção Nova