segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Consagração à Sagrada Família

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA
Consagração à Sagrada Família
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Ó Jesus, nosso amabilíssimo Redentor, que, vindo do céu para ser Luz do mundo com a doutrina e com o exemplo, quisestes passar a maior parte da Vossa vida mortal humilde e submisso a Maria e a José na pobre casa de Nazaré, para santificar esta família que devia ser o modelo da família cristã: dignai-Vos acolher benignamente as nossas famílias que agora se dedicam e consagram a Vós; protegei-as, guardai-as e fazei que nelas reinem, com o divino modelo da Vossa Sagrada Família, e todos sem exceção de ninguém, mereçam alcançar a eterna felicidade.

Ó Maria, Mãe amorosíssima de Jesus e nossa Mãe, fazer, por vossa piedosa intercessão, que Jesus acolha benignamente a oferta que Lhe fazemos de nossas famílias e nos conceda as Suas bênçãos e graças.

Ó São José, guarda amorosíssimo de Jesus e Maria, concedei-nos o socorro do vosso patrocínio em todas as necessidades espirituais e temporais, a fim de que possamos, com a Bem-Aventurada Virgem Maria e convosco, louvar e bendizer eternamente a Jesus Cristo, nosso Divino Redentor.




Fonte Canção Nova

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A verdadeira devoção a Nossa Senhora dos Navegantes

Nossa Senhora dos Navegantes é a Estrela que nos conduz no mar, por vezes tempestuoso e sombrio, da história da salvação.

A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes remonta a Idade Média, na época das Cruzadas, e está intimamente ligada ao título “Estrela do Mar”. Naquele tempo, os cruzados atravessavam o Mar Mediterrâneo rumo à Palestina para proteger os peregrinos e os lugares santos dos infiéis. Tendo em vista os perigos que enfrentariam, esses bravos homens invocavam a Santíssima Virgem Maria pelo nome de “Estrela do Mar”, pois, sob esse título, ela era conhecida como aquela que protegia os navegantes, mostrando-lhes sempre o melhor caminho e um porto seguro para a sua chegada.
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Antes das travessias, os navegantes participavam da Santa Missa, na qual pediam proteção de Nossa Senhora dos Navegantes para enfrentar, com coragem, os perigos do mar, as tempestades e os ataques dos piratas.
Com o início das grandes navegações, por parte dos portugueses e espanhóis, e a descoberta de novas rotas comerciais e terras pelo mundo, a devoção a Nossa Senhora dos Navegantes cresceu ainda mais e chegou a terras cada vez mais longínquas. Sob esse título, a Santa Virgem é a padroeira dos navegantes e dos viajantes, e é também chamada de Nossa Senhora da Boa Viagem.

A origem da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes

Essa devoção tem sua origem mais remota no título mariano “Estrela do Mar”. Até nossos dias, não foi possível datar com precisão e saber a origem desse título. No entanto, o hino litúrgico em latim “Ave maris stella”, que pode ser traduzido por “Ave, do mar estrela”, composto por volta do século VII, atesta a antiguidade da devoção a Santíssima Virgem sob este título. Todavia, não há uma unanimidade quanto à autoria e a data da composição do hino litúrgico.
Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, no seu comentário “A Saudação Angélica”, ensina-nos que a Virgem Maria foi isenta de toda maldição e é bendita entre as mulheres. Nossa Senhora é a única que suprime a maldição, traz a bênção e abre as portas do paraíso. Por isso, convém-Lhe o nome de Maria, que significa “Estrela do mar”1. Da mesma forma que os navegadores são conduzidos pela estrela do mar ao porto, os cristãos são conduzidos à glória do Reino dos Céus por Maria.
Em uma de suas memoráveis homilias, São Bernardo de Claraval, Abade e Doutor da Igreja, afirma que a Virgem Maria é comparada muito apropriadamente a uma estrela, pois esta dá a sua luz sem se alterar, tal como Nossa Senhora deu à luz o seu Filho sem danificar o seu corpo virgem. “Ela é efetivamente essa nobre ‘estrela surgida de Jacob’2, cujo esplendor ilumina o mundo inteiro, que brilha nos céus e penetra até aos infernos. […] Ela é verdadeiramente essa linda e admirável estrela que havia de elevar-se acima do mar imenso, cintilante de méritos, iluminando pelo exemplo”3.

Nossa Senhora, a padroeira dos navegantes e dos viajantes

A primeira razão da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes, ou Nossa Senhora da Boa Viagem, é obviamente por sua proteção contras os perigos do mar, o seu socorro nas tempestades. Foi por esse motivo que essa devoção chegou aqui, juntamente com os navegantes portugueses, desde a época do descobrimento do Brasil em 22 de abril de 1500. Naquele tempo, as embarcações eram menores e não tão seguras quanto as atuais. Por isso, as pessoas que viajavam de barco não sabiam se retornariam com vida. Além disso, os recursos de navegação eram quase inexistentes. Então, era muito comum que os marinheiros se orientassem pelo sol, durante o dia; e pelas estrelas durante a noite. Dessa forma, a “Estrela do Mar”, que é a Virgem Maria, tornou-se a Senhora dos navegantes, que por ela se orientavam nas “noites escuras” das suas viagens.
Muitas são as comunidades paroquiais, e até cidades, que tem Nossa Senhora dos Navegantes como padroeira, por todo o Brasil. A sua festa é celebrada no dia 2 de fevereiro. Especialmente nas cidades litorâneas, que têm muitos pescadores e se usa muito o transporte marítimo, a devoção a Virgem Maria sob este título é muito popular, atraindo milhares de peregrinos em suas festas. Na tradicional Festa de Nossa Senhora dos Navegantes de Porto Alegre (RS), que chega este ano à sua 140ª edição, a previsão é de que cerca de 300 mil peregrinos participem4. Na cidade de Navegantes (SC), comemora-se a 120ª Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, que é a Padroeira da cidade5. No entanto, a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, que tem sua raiz na devoção a Nossa Senhora dos Navegantes, não se limitou às cidades litorâneas, mas chegou a lugares bem distantes do mar, como Belo Horizonte (MG), de onde ela é padroeira.
A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes é associada popularmente a Iemanjá. Entretanto, a primeira, que é uma devoção católica, não tem nenhuma relação com a segunda, a não ser que as suas festas são comemoradas no mesmo dia, 2 de fevereiro. Iemanjá é um orixá feminino do Candomblé, da Umbanda e de outras crenças afro-brasileiras, que é comemorada também nos dias 15 de agosto e 8 de dezembro, datas marianas, talvez para associá-la a Nossa Senhora. A raiz dessa associação entre ambas está historicamente ligada à religiosidade do tempo da escravatura, na qual os portugueses não permitiam aos escravos o culto aos seus “deuses”. Em vista disso, muitos escravos continuaram a cultuar essas entidades nas imagens católicas, para evitar problemas com seus senhores. Infelizmente, isso ainda está enraizado na cultura e na religiosidade de muitas pessoas, que continuam a associar a Senhora dos Navegantes com Iemanjá.

Nossa Senhora dos Navegantes, a Estrela do Mar

A segunda e mais importante razão da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes está associada com o título que lhe deu origem: “Estrela do Mar”. A Virgem Maria é essa estrela luminosa, que nos guia, que nos mostra a direção certa no mar por vezes tempestuoso da nossa história, para chegarmos ao porto seguro, que é Jesus Cristo. Dessa forma, compreendemos que a Senhora dos Navegantes não é somente a protetora e a intercessora dos navegantes, mas de todos nós, que navegamos nessa grande embarcação que é a Igreja, no mar tantas vezes agitado e perigoso deste mundo.
Seja nas calmarias ou em meio às tempestades, sigamos a Estrela do Mar pelo caminho espiritual indicado por São Bernardo: “Vós todos, quem quer que sejais, seja o que for que sentirdes hoje, em pleno mar, sacudidos pela tormenta e pela tempestade, longe da terra firme, mantende os olhos na luz dessa estrela para evitar o naufrágio. Se se levantarem os ventos da tentação, se vires aproximar-se o escolho das provações, olha para a estrela, invoca Maria! Se te sentires sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência ou do ciúme, eleva os olhos para a estrela, invoca Maria. […] Se te sentires perturbado pela enormidade dos teus pecados, humilhado pela vergonha da tua consciência, assustado pelo temor do julgamento, se estiveres a ponto de naufragar nas profundezas da tristeza e do desespero, pensa em Maria. No perigo, na angústia, na dúvida, pensa em Maria, invoca Maria!
Que o seu nome nunca saia dos teus lábios nem do teu coração. […] Seguindo-a, não te perderás; rezando-lhe, não desesperarás; pensando nela, evitarás enganar-te no caminho. Se Ela te agarrar pela mão, não te afundarás; se Ela te proteger, nada temerás; conduzido por Ela, ignorarás a fadiga; sob a sua proteção, chegarás ao objetivo. E compreenderás, pela tua própria experiência, como são verdadeiras essas palavras: ‘O nome da virgem era Maria’67.

Nossa Senhora dos Navegantes, a Estrela da Esperança

Nossa Senhora dos Navegantes, portanto, é a “Estrela do Mar”, que guia e protege os pescadores, marinheiros e viajantes em suas jornadas pelos mares e os leva a um porto seguro. Em sentido ainda mais profundo e espiritual, a Virgem Maria é a Estrela que nos conduz ao porto seguro da salvação, que é Jesus Cristo. Da mesma forma que os magos do oriente foram guiados pela estrela para Belém, para lá encontrar o Menino Deus e o adorar8, também nós somos guiados pela Estrela do Mar até nos encontrar definitivamente com seu divino Filho, no porto seguro, que é o Reino dos Céus. Por isso, Nossa Senhora é modelo de Igreja, intercessora e auxílio nas tribulações, e Mãe de todos nós, seus filhos e escravos de amor. Diante dessa bela e luminosa Estrela do Mar, que é Maria Santíssima, não temos que temer as tempestades, os mares revoltos, as grandes ondas que por vezes ameaçam nos levar ao naufrágio.
Como disse o Papa Emérito Bento XVI: “A vida é como uma viagem no mar da história, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança. Certamente, Jesus Cristo é a luz por antonomásia, o sol erguido sobre todas as trevas da história. Mas para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão luz recebida da luz d’Ele e oferecem, assim, orientação para a nossa travessia. E quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança?”9
No mar tempestuoso da história da salvação, a Virgem Maria é esta Estrela da Esperança, que nos guia principalmente quando a escuridão, ou densas névoas, não nos permite enxergar para onde vamos. Por isso, não tenhamos medo, mas nos confiemos inteiramente a Nossa Senhora: “Vós permaneceis no meio dos discípulos como a sua Mãe, como Mãe da esperança. Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o Seu Reino! Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho!”10 Nossa Senhora dos Navegantes, rogai por nós!
2 – Cf. Nm 24, 17.
6 – Lc 1, 27.
7 – SÃO BERNARDO. Op. cit. 
8 – Cf. Mt 2, 1-12.
10 –  Idem 50.

Canção Nova

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Quaresma: tempo de penitência e conversão - 12. fevereiro 2016

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Nossa Senhora de Fátima

A Quaresma é um tempo da oportuno para a penitência e a conversão, através de três práticas de piedade: o jejum, a esmola e a oração.
Na Quaresma, mais do que em outros tempos, somos chamados à penitência interior, como nos indicam a Sagrada Escritura e os Padres da Igreja, especialmente através do jejum, da esmola e da oração, que exprimem a conversão, em relação a nós mesmos, aos outros e a Deus. Se em suas diversas aparições, especialmente em Fátima, Nossa Senhora nos pediu insistentemente que fizéssemos penitência, muito mais as devemos fazer neste tempo propício que é a Quaresma, justamente no Ano Santo da Misericórdia.
A Quaresma é um tempo da oportuno para a penitência e a conversão, através de três práticas de piedade: o jejum, a esmola e a oração.

No decorrer do Ano Litúrgico, temos dias obrigatórios de penitência: cada sexta-feira em memória da morte do Senhor, a não ser em dias de festa e solenidades. Nos primórdios do cristianismo, além da sexta-feira, fazia-se jejum também na quarta-feira, como atesta a Didaqué, que é primeiro Catecismo da Igreja, que remonta o século I da era cristã. Além dos dias penitenciais, temos também tempos de penitência, como é o tempo da Quaresma. Estes “são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias)”.

A realidade exterior e interior do jejum
O jejum significa não somente a abstinência do alimento, mas também de outras formas de privação, para que tenhamos uma vida mais sóbria. No entanto, estas também não esgotam a realidade completa do jejum. Estas privações voluntárias são apenas “o sinal externo de uma realidade interior, do nosso compromisso, com a ajuda de Deus, de nos abstermos do mal e de vivermos do Evangelho”. Por isso, não jejuamos verdadeiramente se não nos afastamos do mal e nos alimentamos da Palavra de Deus.
Na prática, podemos deixar de comer carne, fazer jejum à pão e água, pelo menos nas sextas feiras; podemos tirar doces, refrigerantes, bebidas alcoólicas, comidas ou bebidas que são lícitas, mas gostamos muito. Mas, nosso jejum não será completo se não nos afastamos do mal que está acabando com muitas famílias e com os casais, que é a falta de amor, de diálogo, de compreensão; se não nos distanciamos das novelas, filmes, dos reality shows, músicas, jogos e outros entretenimentos mundanos que se fazem o papel do diabo (divisor) em nossos lares. Enfim, nosso jejum não será completo se não nos aproximamos do Senhor, particularmente da Palavra de Deus, do Sacramento da Penitência e da Eucaristia.
Devemos estar atentos a não praticar um jejum formal, apenas para cumprir o preceito, ou que na verdade nos “sacia” porque nos faz sentir bons, como que para aliviar a nossa consciência. Pois, o jejum só tem sentido se nos faz abrir mão das nossas seguranças, mas também se beneficiar o nosso próximo, se nos ajudar a cultivar o estilo do bom Samaritano, que se inclina sobre o irmão em dificuldade e cuida dele. “O jejum comporta a escolha de uma vida sóbria, de uma existência que não desperdiça, uma vida que não ‘descarta’. Jejuar ajuda-nos a treinar o coração para a essencialidade e a partilha. É um sinal de tomada de consciência e de responsabilidade perante as injustiças e os abusos, especialmente em relação aos pobres e aos mais pequeninos; é sinal da confiança que depositamos em Deus e na sua Providência”.
Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “A Penitência Quaresmal”:


A íntima ligação entre o jejum e a esmola
Na tradição da Igreja, a prática do jejum está ligada intimamente à esmola. A este respeito, São Leão Magno ensina em um dos seus discursos sobre a Quaresma: “Aquilo que cada cristão deve realizar em todos os tempos, agora deve praticá-lo com maiores solicitude e devoção, para que se cumpra a norma apostólica do jejum quaresmal, que consiste na abstinência não apenas dos alimentos, mas também e sobretudo dos pecados. Além disso, a estes jejuns obrigatórios e santos, nenhuma obra pode ser associada mais utilmente que a esmola que, sob o único nome de ‘misericórdia’ inclui muitas obras boas”.
Imenso é o campo das obras de misericórdia, que neste Ano Santo da Misericórdia podemos e devemos redescobrir com ardente caridade, particularmente nesta Quaresma. “Não só os ricos e abastados podem beneficiar os outros com a esmola, mas também quantos vivem em condições modestas e pobres. Assim, desiguais nos bens de fortuna, todos podem ser iguais nos sentimentos de piedade da alma”. Pois, o jejum torna-se santo através das virtudes que o acompanham, especialmente a caridade e cada gesto de generosidade, que concede aos mais pobres e necessitados o fruto da nossa privação.
A esmola e o jejum dão testemunho sempre, em todos os tempos da Igreja, de uma submissão do homem carnal e exterior ao homem espiritual e interior, que existe em cada nós. Na Palavra de Deus, o Senhor Jesus chama-nos a realizar estas obras. No entanto, é significativo que Cristo não dá tanta importância à esmola, à oração e ao jejum em si mesmos, mas indica como é preciso realizar estas obras de piedade: “Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles. De contrário, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus”. O Mestre nos encoraja à esmola, à oração e ao jejum. Entretanto, ordena que pratiquemos tais obras “em segredo” diante do Pai, para não perdermos o prêmio: “E teu Pai, que vê o oculto, premiar-te-á”. Dessa forma, a Quaresma é o tempo de entrar em nós mesmos, “é o período de uma particular intimidade com Deus no segredo do próprio coração e da própria consciência”.


O jejum e a esmola como as duas asas da oração
A Quaresma é um tempo privilegiado para a oração e consequentemente para o encontro com Deus. Santo Agostinho dizia que o jejum e a esmola são “as duas asas da oração”, que lhe permitem tomar mais facilmente o seu impulso e chegar até Deus. “Deste modo a nossa oração, feita de humildade e caridade, no jejum e na esmola, na temperança e no perdão das ofensas, oferecendo coisas boas e não restituindo as más, afastando-se do mal e praticando o bem, procura e alcança a paz”. Com as asas do jejum e da esmola, a nossa oração voa com segurança e é levada mais facilmente até o Céu, onde nos precedeu Jesus Cristo, nossa paz.
Sabemos que, pela nossa fraqueza, é difícil manter-nos em silêncio para nos colocar diante de Deus e adquirir a consciência da nossa condição de criaturas, que dependem d’Ele, e de pecadores, necessitados do seu amor. Por isso, na Quaresma, a Igreja convida-nos a uma oração mais fiel e intensa, e a uma prolongada meditação sobre a Palavra de Deus. A este respeito, São João Crisóstomo nos exorta: “Adorna a tua casa de modéstia e humildade, mediante a prática da oração. Torna maravilhosa a tua habitação com a luz da justiça; ornamenta as suas paredes com as boas obras, como de um verniz de ouro puro, e no lugar dos muros e das pedras preciosas, coloca a fé e a magnanimidade sobrenatural, pondo acima de todas as coisas, no auge de tudo, a oração como decoração de todo o conjunto”. Desse modo, preparamos uma moradia digna do Senhor e O recebemos numa mansão maravilhosa. Pois, Ele concederá a nós transformação da alma em templo da Sua presença.
A oração é a força de cada um de nós cristãos. “Na debilidade e fragilidade da nossa vida, podemos dirigir-nos a Deus com confiança filial e entrar em comunhão com Ele. Diante de tantas feridas que nos angustiam e que poderiam tornar o nosso coração insensível, somos chamados a mergulhar no mar da oração, que é o oceano do Amor ilimitado de Deus, para saborear a sua ternura. A Quaresma é tempo de oração, de uma prece mais intensa, mais prolongada, mais assídua e mais capaz de nos tornar responsáveis pelas necessidades dos irmãos; prece de intercessão, a fim de rogar a Deus por tantas situações de pobreza e de sofrimento”.


A Quaresma do Ano Santo da Misericórdia
A Quaresma, especialmente neste Ano da Misericórdia, é um tempo favorável para que todos possamos sair do fechamento em nós mesmos, graças à escuta da Palavra de Deus e às obras de misericórdia. “Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas”. Com efeito, é precisamente quando tocamos no miserável a carne de Jesus crucificado, que nós podemos receber, em dom, a consciência de ser também um pobre mendigo.
Nestes exercícios quaresmais, podemos também nos identificar com os “soberbos”, os “poderosos” e os “ricos”, que a Virgem Maria menciona no Magnificat, e perceber que somos pecadores, imerecidamente, amados por Jesus Cristo, por nós crucificado, morto e ressuscitado. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos, que iludidos pensamos poder saciar através dos ídolos do saber, do poder e do possuir. Todavia, permanece sempre o perigo de que, sem nos reconhecer – os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa do fechamento para Cristo, que no pobre, no fraco, no necessitado, continua a bater à porta do nosso coração, acabemos por nos condenar, precipitando-nos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno.
Neste tempo de graça, preparemo-nos da melhor maneira – através do jejum, da esmola e da oração, mas também nos afastando do mal e do pecado, e nos aproximando de Deus – para festejar a vitória definitiva de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte. Ele é Esposo, que neste tempo deseja purificar a sua prometida Esposa, que somos nós, o Corpo Místico da Igreja. “Não percamos este tempo de Quaresma, favorável à conversão!” Por fim, neste tempo da Misericórdia, peçamos a intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez, confessando-Se a humilde serva do Senhor”16. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
Natalino Ueda, escravo inútil de Jesus por Maria.
Canção Nova

sábado, 30 de janeiro de 2016

Nossa Senhora da Candelária - 30.01.2016

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imagem da internet
O culto à Nossa Senhora das Cadeias sempre foi muito expressivo no Brasil. Desembarcou junto com os jesuítas e beneditinos portugueses na região Nordeste, onde perdura até hoje. Nesta oportunidade trouxeram a imagem e a mais antiga história sobre essa devoção mariana. A divulgação passou a ser transmitida tão logo os jesuítas a conheceram no início do século XVI. Mas ela só foi escrita, pelo frei Alonso de Espinosa, no final dele, em 1594.

Consta que a luminosa aparição de uma imagem da Senhora com o filho no braço, teria ocorrido no dia 02 de fevereiro de 1400 ou no ano seguinte, em Tenerife nas Ilhas Canárias, África. O fato foi presenciado por uma verdadeira multidão de nativos, com lances muito intrigantes. O detalhe mais importante e curioso é que nenhum dos presentes conhecia a Virgem Maria, ou o cristianismo, pois essas ilhas, embora descobertas em 1309, seriam colonizadas pelos espanhóis só no final do outro século.

Tudo começou quando dois pastores resolveram atravessar com seus rebanhos uma passagem que havia numa gruta. Porém o gado não passava da entrada, mantendo-se irritados. Intrigados, os dois resolveram entrar sozinhos e verificar o motivo da agitação do gado. Depararam então com a imagem de uma Senhora com o filho no colo, que pareciam ter vida. Um deles acenou com o braço para que ela fosse embora, mas o mesmo ficou paralisado. O outro tentou toca-la com um bastão, e também teve o braço imobilizado. Correram para a cidade, onde foram ao palácio comunicar o fato ao rei. Vendo que os pastores não mentiam, pois tinham os braços imóveis, reuniu sua comitiva e seguiu para a gruta. Nela, como a Senhora não respondia às perguntas e ninguém ousava toca-la, o rei decidiu que a imagem devia ficar no palácio. Ordenou aos dois pastores que a transportassem. Tão logo eles a tocaram, ambos foram curados. Entendendo a imagem como algo sobrenatural o próprio rei decidiu carrega-la. Mas, durante o percurso pediu socorro, pois não aguentou o peso.

Durante alguns anos a imagem ficou alojada num pequeno nicho localizado perto do palácio do rei. Certo dia um nativo que fora feito escravo por piratas espanhóis, conseguiu escapar e regressou para Tenerife. Convertido à fé cristã, recolheu a imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus no braço. Foi ao palácio e contou ao rei e aos conselheiros tudo o que aprendera do Evangelho, antes de ser batizado. Maravilhado o rei mandou erguer uma grande cruz diante da gruta onde a imagem de Maria apareceu. No ponto em que precisou de ajuda para transporta-la, mandou erguer uma capela, hoje dedicada à Nossa Senhora do Socorro.

Quando os jesuítas espanhóis desembarcaram, em 1526, ficaram surpresos ao constatar que a fé cristã e a devoção mariana já estava no coração do povo. Os padres ergueram um Santuário, onde estava a imagem e o dedicaram à Nossa Senhora da Candelária, assim reconhecida pela candeia que segurava.

Entretanto esta belíssima imagem, após uma inundação em 1826, desapareceu do Santuário. Ela foi refeita com perfeição, graças aos quadros existentes com sua representação. A nova imagem foi aprovada pelo Vaticano em 1827. O Papa Pio IX, em 1867, declarou Nossa Senhora da Candelária, Padroeira de todo o arquipélago das Ilhas Canárias.
Texto: Jacinta Cericato/Paulinas Internet
Fonte http://comeceodiafeliz.com.br/


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Nossa Senhora da Purificação - 29.01.2016

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imagem da internet
Maria, executou sua parte no Plano da Salvação, seguindo todos os ensinamentos para que tudo se cumprisse conforme a vontade do Criador, de acordo com as Sagradas Escrituras.

As mulheres dessa época eram consideradas impuras após o parto. Eram afastadas durante alguns dias do convívio social e das atividades religiosas no Templo. Passado o resguardo a mãe e a criança deveriam ir ao Templo. Ela para ser "purificada" conforme a Lei, a criança para ser apresentada ao Senhor.

No tempo determinado, a Sagrada Família foi ao Templo para a apresentação do Menino Jesus, à Deus-Pai. Maria na sua infinita humildade submeteu-se à cerimônia da purificação. Por este motivo, para demonstrar o grande respeito e carinho à Santíssima Virgem, os primeiros cristãos passaram a comemorar o dia da Purificação de Maria, em 02 de fevereiro.

O Papa Gelásio, que governou a Igreja entre 492 e 496, acabou instituindo para toda a cristandade esta procissão noturna dedicada à Mãe Santíssima. O trajeto, que representa o primeiro caminho percorrido pela Sagrada Família, deve ser todo iluminado por candeias, ou candelárias, e os fiéis carregam nas mãos velas acesas, entoando hinos em louvor à Maria. Dessa antiga tradição, veio o título de Nossa Senhora das Candeias, ou da Candelária.

A festa de Nossa Senhora da Purificação é uma das mais antigas do catolicismo. Mas esse dia de luz tem um enfoque todo especial para o corpo da Igreja. É que em geral, religiosos e religiosas o escolhem para pronunciar seus votos solenes de castidade, pobreza e obediência, para consagrar e colocar suas vidas à serviço do Senhor.
Texto: Jacinta Cericato/Paulinas Internet
Fonte http://comeceodiafeliz.com.br/

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Nossa Senhora dos Navegante - 22.01.2016

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A tradição cristã nos mostra que antes de uma viagem todos os tripulantes e suas famílias participavam de uma missa no navio, para viajarem em comunhão com Jesus Cristo. Nela também o sacerdote invocava proteção também da Santíssima Mãe, que os navegantes consideravam a maior Estrela do Mar. Depois partiam transportando o Crucifixo e a imagem da Virgem Maria, para guarda-los dos perigos, inclusive no regresso. A devoção data da época dos cruzados, portanto, desde a Idade Média, quando navegavam pelo Mar Mediterrâneo com destino à Terra Santa.

Ao longo do tempo essa devoção se propagou. Maria acabou ganhando o título de Nossa Senhora dos Navegantes. O povo simples erguia capelas, construía santuários, dedicados à Ela. Hoje são inúmeras as cidades e localidades batizadas com esse título, algumas delas tendo Nossa senhora dos Navegantes eleita a padroeira celeste.

A estátua de Nossa Senhora dos Navegantes chegou ao Brasil trazida pelos portugueses no século XVIII, precisamente através do representante do Conde Resende, Vice-Rei do Estado. Ele desembarcou no atual estado de Santa Catarina com a tarefa de demarcar uma sesmaria na praia de Itajaí, em 1795. Foi assim que no lado esquerdo do Rio grande de Itajaí, surgiu uma pequena vila, a localidade mais antiga do Estado.

Em 1896, o vigário da igreja de Itajaí conseguiu erguer uma capela, no lado esquerdo do Rio grande Itajaí, sob a invocação de Nossa Senhora dos Navegantes, de São Sebastião e de Santo Amaro. Os habitantes do "outro lado", em 1907, no dia de Nossa Senhora dos Navegantes, celebraram com uma grande festa a conclusão das obras.

Cinquenta anos depois, em maio de 1962, o bairro de Navegantes foi elevado à categoria de Município. Desde então, a festa da Padroeira, em 02 de fevereiro, é celebrada com uma grande procissão fluvial, para a qual se deslocam os fieis de todas as paróquias vizinhas. Em 1996, a então igreja matriz de Nossa Senhora dos Navegantes ganhou da Cúria Metropolitana um Santuário Arquidiocesano sob a invocação da gloriosa padroeira.

Todavia, Nossa Senhora dos Navegantes é a padroeira de inúmeras outras cidades brasileira, por isto a celebração de sua festa é sempre muito esperada pelos devotos. Todos querem homenagear a querida Padroeira participando da procissão, seguindo ou por terra ou nas embarcações, para agradecerem as graças e proteção alcançadas através de Jesus através da Santíssima Mãe Maria.Texto: Jacinta Cericato/Paulinas Internethttp://comeceodiafeliz.com.br/

domingo, 17 de janeiro de 2016

MARIA COMO MEDIANEIRA - Jo 2,1-11 - 17.01.2016

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“Em Caná, ninguém pede à Santíssima Virgem que interceda junto de seu Filho pelos consternados esposos. Mas o coração de Maria, que não pode deixar de se compadecer dos infelizes, impele-a a assumir, por iniciativa própria, o ofício de intercessora e a pedir ao Filho o milagre. Se a Senhora procedeu assim sem que lhe tivessem dito nada, que Teria feito se lhe tivessem pedido que interviesse?” (Sto. Afonso Maria de Ligório). Que não fará quando – tantas vezes ao longo do dia! – lhe dizem “rogai por nós” ? Que não iremos conseguir se recorremos a Ela ?
“Maria põe-se de permeio entre o seu Filho e os homens na realidade das suas privações, das suas infigências e dos seus sofrimentos. Maria faz-se de Medianeira, não como uma estranha, mas na posição de Mãe, consciente de que como tal pode – ou antes, tem o direito de – tornar presentes ao Filho as necessidades dos homens” (Beato João Paulo II).
Jesus não nos nega nada; e concede-nos de modo particular tudo o que lhe pedimos através de sua Mãe.
Maria continua dizendo a nós, seus filhos: “Fazei o que Ele vos disser”.